Qualidade de vida

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Qualidade de vida: medidas e padrões gerais
A medida de qualidade de vida, mesmo se é ainda um instrumento recente e vindo de uma
tradição estrangeira, anglo-saxônica, empirista e utilitarista, é um fato irreversível que vai,
provavelmente, pertencer ao nosso universo, da mesma forma que a ecografia (Rameix,
1997:89).
Tentando sintetizar a complexidade da noção de qualidade de vida e desua relatividade vis-
à-vis as diferentes culturas e realidades sociais, diversos instrumentos têm sido construídos.
Alguns tratam a saúde como componente de um indicador composto, outros têm, no campo
da saúde, seu objeto propriamente dito.
Entre os primeiros, talvez o mais conhecido e difundido seja o Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH), elaborado pelo Programa das Nações Unidas parao Desenvolvimento
(PNUD). O IDH foi criado com a intenção de deslocar o debate sobre desenvolvimento de
aspectos puramente econômicos - como nível de renda, produto interno bruto e nível de
emprego - para aspectos de natureza social e também cultural. Embutida nesse indicador
encontra-se a concepção de que renda, saúde e educação são três elementos
fundamentais da qualidade de vida deuma população.
O IDH é um indicador sintético de qualidade de vida que, de forma simplificada, soma e
divide por três os níveis de renda, saúde e educação de determinada população. A renda é
avaliada pelo PIB real per capita; a saúde, pela esperança de vida ao nascer e a educação,
pela taxa de alfabetização de adultos e taxas de matrículas nos níveis primário, secundário
e terciáriocombinados. Renda, educação e saúde seriam atributos com igual importância
como expressão das capacidades humanas.
O IDH se baseia na noção de capacidades, isto é, tudo aquilo que uma pessoa está apta a
realizar ou fazer. Nesse sentido, o desenvolvimento humano teria, como significado mais
amplo, a expansão não apenas da riqueza, mas da potencialidade dos indivíduos de serem
responsáveis poratividades e processos mais valiosos e valorizados. Assim, a saúde e a
educação são estados ou habilidades que permitem uma expansão das capacidades.
Inversamente, limitações na saúde e na educação seriam obstáculos à plena realização das
potencialidades humanas (PNUD, 1990).
O IDH vem recebendo aceitação ampla pelas facilidades na obtenção dos índices que o
compõem - disponíveis namaioria dos países e regiões do mundo e são construídos com
metodologia semelhante -, o que garante razoável grau de aplicabilidade entre realidades 6
totalmente diversas. Mas também apresenta limitações que devem ser consideradas, seja
no uso para comparar qualidade de vida entre territórios, seja ao longo do tempo em um
mesmo território. Por exemplo, discrimina pouco os países ou regiões maisdesenvolvidas
entre si, pois aí, as taxas de analfabetismo têm diferenças irrisórias, e apresenta problemas
de consistência metodológica quando aplicado a limites geográficos mais restritos, nos
quais provavelmente os rankings produzidos seriam meras reproduções, com poucas
diferenças, da diferenciação da renda (Cardoso, 1998).
Finalmente, o IDH não consegue incorporar a essência doconceito central que tenta medir.
A esse respeito se refere Dines (1999): desenvolvimento é um processo mais amplo que o
mero aumento da promoção, melhoria de produção e de índices. Envolve a direção, o
sentido e sobretudo o conteúdo do crescimento. Atualmente, essa dimensão anímica do
processo econômico faz a diferença entre o crescimento e o desenvolvimento. Um país
pode crescer ou deixarde crescer. Mas uma nação desenvolvida nunca pode deixar de sê-
lo, porque o desenvolvimento se incorpora às estruturas, às instituições e às mentalidades.
E não se desencarna. Da mesma forma, o campo semântico da qualidade de vida na
tradição ocidental, além da idéia de desenvolvimento, transita pela crença na democracia.
Quanto mais aprimorada a democracia, mais ampla é a noção de...
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