Psicologia infantil

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  • Publicado : 4 de outubro de 2012
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Propondo-me aqui a abordar as manifestações clinicas e as dificuldades técnicas inerentes ao tratamento psicanalítico dos transtornos da identidade sexual na infância, parece-me que poderei tornar mais útil a minha exposição principiano por um exame critico dos critérios a que recorremos para o estabelecimento deste diagnostico, em vez de unicamente elencar, de forma talvez redundante, os sinaisfenomênicos por meio dos quais esse quadro clinico costuma expressar-se.

Sendo o conceito de identidade de gênero e a descrição do seu processo constitutivo dentro do desenvolvimento psicossocial aspectos com os quais suponho que estejamos já suficientemente familiarizados, determe-ei especificamente no que se convencionou chamar “distúrbio” ou “transtorno” de gênero, com traduçõespropostas ao inglês gender disorder. O diagnostico de Transtorno de Identidade de Gênero na Infância faz parte da classificação proposta pelo DSM (IV), não constando com esta denominação na ultima edição do CID (10), que traz como alternativa diagnostica o Transtorno de Identidade Sexual na Infância, para o qual se utiliza, entretanto, diretrizes clínicas bastante similares.

Alem de certosrequisitos diagnósticos que são constantes numa classificação e na outra não, observa-se que os critérios demonstram ser eventualmente conflitantes. Um exemplo disto pode ser observado no que se refere à presença ou ausência de sofrimento, na criança, como uma comum decorrência do transtorno.

No primeiro caso (DSM), parece haver referência a alguma forma de sofrimento primário ouegodistônico intrapisiquicamente determinando, enquanto no segundo caso (CID) o sofrimento imediato ou conflitivo esta ausente, sendo apontado como consequente a um desajuste entre as idiossincrasias da criança e a expectativa ambiental; a criança estaria, portanto, sintônica com seu próprio desejo de orientação.

Se estamos aqui pretendendo penetrar na essência das configurações psíquicas comumenteassociadas a tais manifestações condutuais, deveremos necessariamente ampliar o escopo investigatório para mais alem de uma aproximação fenomenológico-descritiva e buscar uma maior especificidade compreensiva e operacional, o que a meu ver coloca a via psicanalítica como a única e efetiva possibilidade de acesso clinico que poderá descortinar uma perspectiva terapêutica particular.Ressalvas feitas apontadas devo dizer que no que se refere aos transtornos de gênero, ou de identidade sexual, os psicanalistas foram não só os que contribuíram mais efetivamente para a técnica e eficazmente para a clinica, como tem sido também os mais intimamente preocupados com os aspectos éticos que envolveram a indicação de tratamento com os aspectos ideológicos que ao longo do processo clinicopoderão influir negativamente no estabelecimento de parâmetros de sanidade que instalem um pseudoprocesso analítico adaptativo no lugar de uma esperada oportunização vincular-ambiental para a emergência dos modos mais verdadeiros e genuínos do ser.

Não possuímos, nas classificações oficiais, um diagnostico de fetichismo infantil, o qual frequentemente se associa na infância ao transtorno deidentidade de gênero. Não diagnosticamos mais transexualismo antes da adolescência, no entanto, continuamos encontrando crianças que repudiam com veemência os próprios genitais e desejam até mesmo livrar-se deles. A conduta exibicionista e sadomasoquista em crianças não é incomum, mas o diagnostico de parafilia é também de exclusivo uso da psicopatologia de adultos.

Primeiramente, acreditavaele que só se poderia diagnosticar uma perturbação extrema e autentica da identidade de gênero se a criança não houvesse desenvolvido minimamente a masculinidade, sendo um menino, ou a feminilidade, sendo uma menina. Isto explicaria uma total ausência de registro psíquico de qualquer harmonia ou compatibilidade entre o sexo e o gênero, com uma identidade e papel de gênero pura, harmônica e...
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