Prova qco

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 40 (9829 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 13 de agosto de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
QUESTÃO ÚNICA


MÚLTIPLA ESCOLHA

Marque no cartão de respostas, anexo, a única alternativa correta correspondente a cada item.




TEXTO I
O futuro saqueado





Estamos vivendo um saque antecipado do futuro! Parece alarmista, ou até piegas, mas continuamos esboroando e furtando as condições de existência para as próximas gerações depois da nossa. Essa é uma situaçãoinédita, pois, durante toda a trajetória evolutiva e histórica da espécie, a grande preocupação de qualquer comunidade humana vinha sendo garantir a continuidade e a melhoria das estruturas de manutenção da vida para os descendentes.


A questão central nesse saque não é exclusivamente a materialidade da situação, isto é, a degradação do meio-ambiente e dos recursos naturais, dadoque, ainda que de forma incipiente, disso estamos cuidando.


O fulcro da problemática é, isso sim, os adultos - admitirmos e promovermos o apodrecimento da esperança nas novas gerações. A elas vimos negando o futuro, e, com facilidade ouvem de nós aterradores prognósticos ("Não haverá futuro! Não haverá emprego! Não haverá natureza!"). Também desqualificamos o presente e o passadodelas ("Isso não é vida; vocês não sabem brincar! Vocês não tiveram infância! Isso que vocês comem é só porcaria! Isso não é música, é barulho!").


A tudo isso dá-se um ar de fatalidade que indica a crença na impossibilidade de alterar essa rota coletiva; por isso, as novas gerações começam a acreditar no mais ameaçador perigo para a convivência gregária e a solidariedade: oindividualismo exacerbado. A regra passa a ser a exaltação descontextualizada do "carpe diem" escrito por Horácio nas suas "Odes"; deixa de ser um "aproveita o dia", entendido pelo poeta latino como sinal de equilíbrio e virtude moderadora, e passa a ser um "curta tudo o que puder, no menor tempo possível, pois só há um horizonte: a vida é breve e sem sentido, e nada mais nos resta a não ser o momento".Não é casual que haja um aumento desproporcional de jovens (cada vez com menos idade) que desvalorizam a vida, começando pelo desprezo pela própria integridade física e mental; são vítimas fáceis das drogas fatais e do álcool sem medida, proporcionadores de felicidade (ou fuga) momentânea. Claro, desse modo, sem futuro, o presente fica insuportável; o grande Dostoiévski escreveu em"O Idiota" que "não foi quando descobriu a América, mas quando estava prestes a descobri-la que Colombo se sentiu feliz".


Vive-se, além de tudo, em uma sociedade consumista, na qual a mínima possibilidade de sentido fugaz encontra-se na posse, mesmo que circunstancial, de objetos que são anunciados como sendo portadores do segredo da felicidade. Crianças bem pequenas perderam acapacidade de brincar sozinhas com um maravilhoso universo imaginativo e abstrato, no qual
nada material precisava adentrar, agora, elas têm "necessidades" inseridas nelas pela nossa inteligência adulta e veiculadas por uma mídia que nem sempre se preocupa com o papel formador que desempenha.




















Há uma estonteante "presentificação" dofuturo que pode seqüestrar a compreensão da vida como história e processo coletivo, fazendo, por exemplo, parecer que, como o terceiro milênio ocidental começa no próximo ano, ele será todo vivido e passado no próprio ano vindouro; fala-se no terceiro milênio como se ele fosse esgotar-se já em 2001 ...


Não dá para supor um eterno presente; mesmo o fictício Dorian Gray, com o quaseperene retrato, pagou caro pela sua ganância vital; nessa obra, Oscar Wilde fez, há mais de um século, um alerta premonitório para quando algumas máscaras caírem: "As crianças começam por amar os seus pais; quando crescem, julgam-nos; algumas vezes, perdoam-lhes".




(MÁRIO SÉRGIO CORTELLA, filósofo, professor da PUC-SP e autor de "A Escola e o Conhecimento: Fundamentos Epistemológicos e...
tracking img