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As doenças do trabalho no meio odontológico

Cirurgiões dentistas estão entre os mais afetados pela LER e DORT

A sociedade moderna tem sido cada vez mais vítima das chamadas doenças do trabalho. O excesso de horas de traba-lho seguidas, a pressão para atingir resultados cada vez melhores e a repe-tição constante de alguns movimentos pode levar a problemas sérios de saúde.
 
A maioria daspessoas não se dá conta de todos esses fatos, e só vão perceber seu resultado quando encontram-se em um estado avançado, com as chamadas Lesões por Esforço Repetitivo, ou, como são mais conhecidas, LER.

As LER, como o próprio nome diz, são lesões nos músculos e articulações causadas por uma má postura durante o trabalho ou por realizar movimentos repetitivos durante um longo período de tempo,sem intervalo.
 
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Má postura durante o trabalho
 
Outra definição para as Lesões por Esforço Repetitivo que vem sendo bastante utilizada é DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. O termo DORT foi adotado pelo INSS em 1998 e é mais preciso para se referir a esse tipo de doença ocupacional, já que abrange um número maior de casos, não só os que já se transformaram emlesão por apresentarem um estágio avançado.

Muitas pessoas, erroneamente, referem-se aos DORT e às LER como se fossem sinônimos. Os DORT referem-se a qualquer distúrbio ocasionado pelo trabalho, são mais brandos que as LER e, se diagnosticados na fase inicial, possuem grandes chances de serem curados. Caso não sejam tratados, os DORT podem evoluir para uma LER, que já é mais difícil de ser tratadadevido à sua severidade.

Um pouco de história

As doenças ocupacionais vêm sendo retratadas na literatura desde o século XVIII, quando houve a Re-volução Industrial. Em 1713, Bernardino Ramazzini, con-siderado por muitos o pai da medicina ocupacional, publi-cou o livro “Doença dos Trabalhadores”. Foi a pri-meira publicação sobre o assunto.

A tendência era que o problema aumentasse com opassar do tempo, o que realmente aconteceu. Entre os anos de 1960 e 1980 houve uma epidemia de LER no Japão e, na segunda metade da década de 1980, ela já era considerada o maior problema de saúde pública australiano.
No Brasil não poderia ser diferente. A terminologia LER foi introduzida em 1986 e, através da Portaria nº 3751 de 13 de novembro de 1990, foi reconhecida como doença do trabalho.Entre os anos de 1985 e 1988, a incidência de profissionais portadores de LER saltou de 1% para 40% na cidade de Belo Horizonte. Já em São Paulo, somente entre os anos de 1985 e 1992, o número de casos diagnosticados ultra-passava a barreira dos 20 mil.

Os cirurgiões-dentistas e a LER

As Lesões por Esforço Repetitivo costumam atingir os profissionais das mais diversas áreas. Com relação aosexo, as mulheres costumam sofrer mais com as doenças ocupacionais. Uma das possíveis causas seria o fato das mulheres apresentarem uma menor densidade e tamanho dos ossos e uma musculatura mais frágil, além de utilizarem anticoncepcionais e realizarem tarefas domésticas após o trabalho.

Entre as classes mais afetadas es-tão secretárias, bancários, opera-dores de linha de montagem, professores,pessoas que traba-lham com computador e também os odontologistas.

São vários os motivos que levam o cirurgião-dentista a fazer parte do grupo de risco de LER e, entre os principais, podemos citar o alto número de horas trabalhadas por dia. Não é difícil encontrarmos profissionais que trabalham de 9 a 12 horas por dia, executando sempre os mesmos movimentos e permanecendo na mesma posição. Issocausa um desgaste dos músculos e articulações, levando a alguns distúrbios que, caso não sejam tratados, podem evoluir a uma LER.

Outro problema no dia-a-dia do dentista é a má postura. Primeiramente, não são todos os profissionais que têm o cuidado em escolher equipamentos ergonomicamente apropriados. E mesmo os que possuem uma preocupação com o lado ergonômico do consultório podem sofrer com...
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