Por uma imagem imaculada

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  • Publicado : 24 de março de 2012
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Por uma “imagem imaculada”

Os brinquedos confeccionados em “matéria plástica” produzidos industrialmente, facilmente promoviam, incitavam através de suas cores, texturas, volumes e principalmente pela “beleza” de suas formas, um forte apelo a nossa particular e pôr que não dizer “instintiva” necessidade em deter, reproduzir, e pôr fim “possuir” todo um elenco de objetos e “coisas” as quais,segundo nosso próprio entendimento, de alguma forma credenciavam – nos a pertencer, a “estarmos” de fato no mundo.
Quase tudo o que conhecíamos e “imaginávamos”, víamos ser facilmente moldado, configurado, sobre as superfícies artificialmente maleáveis, próprias destes incríveis objetos derivados do petróleo.
As crianças, ao montarem um simples “forte-apache”, ou uma casa de bonecas,sem maiores constrangimentos, requisitavam do fundo de seu “universo lúdico”, uma série de elementos dotados de “significação”, os quais pôr sua vez, permitiam operar uma meticulosa construção simbólica- imagística, homogeneamente articulada, negociável, segura e inocente.
Neste sentido, ao dotá-los de “significação”, passávamos a encará-los como elementos de fácil dominação, isto, quando vez ououtra, não acabávamos por convertê-los numa espécie de “réplica” perfeita.
Assim passamos a desenvolver algumas considerações relacionadas á “fotografia”.
Justificamos tal escolha, em função de tê-la a muitos anos acolhido, como eficiente tradução de um mundo permeado de códigos e representações; espécie de “espelho” ou “amuleto” capaz de reproduzir ao infinito um universo de coisaspôr ela facilmente “aprisionado”.
Logicamente devemos dizer que, efetuados os devidos ajustes, desdobramentos e atualizações, passamos a perceber em relação à fotografia, a ocorrência de idêntico fenômeno relatado em minha primeira experiência com os materiais “sintéticos”.
De alguma forma seu estatuto foi seriamente corrompido. Seu caráter “aurático”, seu aspecto original, único,impenetrável, “verdadeiro”, parece ter-se diluído em meio aos inúmeros, arrojados e muitas vezes grotescos modos de representação hoje utilizados pelos indivíduos em suas práticas comunicacionais.
Mesmo tendo em sua fase inicial, recorrido a outras técnicas e conceitos estéticos, (não esqueçamos da pintura) e pôr longas décadas ter contribuído fortemente para o surgimento e implemento de tantasoutras “tecnologias” ligadas a produção visual e audiovisual (cine, vídeo, internet) sempre ligadas à antiga e eterna necessidade de “reprodução/representação”, a fotografia, parece ter infelizmente perdido ao final do século XX o controle sobre si mesma.
Diferentemente de outras eras/épocas, quando desfrutava de um inabalável “status” o qual lhe aproximava das “esferas” ligadas à ciência e aarte, por exemplo.
É como se da/na sutil e rápida “passagem” do suporte “analógico para o digital” o próprio ato de fotografar, perdesse de fato significativa parcela de suas referências, pois fotografar, quase sempre compreendia um prolongado exercício de espera.
Na verdade o que intriga é, como um sofisticado mecanismo/processo de representação, surgido no século XIX e instituído em plena“modernidade”, amplamente reconhecido pôr sua austera composição estética e iconografia rica em elementos lúdicos, ingenuamente acreditou-se impenetrável.
Novas formas de percepção passam a ser freqüentemente efetivadas pela constante necessidade em experimentarmos desconhecidas e inéditas “visualidades”, frutos de uma “tecnologia de ponta” identificada com uma nova era, chamada “virtual”.A fotografia atual, pôr intermédio de suas automáticas “máquinas semióticas” (câmeras digitais), permitiu que a humanidade pudesse resgatar e ultrapassar sua própria “essência imaginária”.
Respaldada pôr uma “parafernália” de computadores e “softwares”, a “imagem virtual” parece ter acenado a uma sociedade “robotizada” sobre a possibilidade ou o direito de “sonhar”.
Também sabemos que, de...
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