Poema de willian shakespeare

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  • Publicado : 12 de abril de 2013
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Poemas de William Shakespeare
William Shakespeare
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De almas sinceras a união sincera Nada há que impeça: amor não é amor Se quando encontra obstáculos se altera, Ou se vacila ao mínimo temor. Amor é um marco eterno, dominante, Que encara a tempestade com bravura; É astro que norteia a vela errante, Cujo valor se ignora, lá na altura. Amor não teme o tempo, muitoembora Seu alfange não poupe a mocidade; Amor não se transforma de hora em hora, Antes se afirma para a eternidade. Se isso é falso, e que é falso alguém provou, Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Soneto 35
William Shakespeare
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Não chores mais o erro cometido; Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho; O sol no eclipse é sol obscurecido; Na flor também o inseto faz seuninho; Erram todos, eu mesmo errei já tanto, Que te sobram razões de compensar Com essas faltas minhas tudo quanto Não terás tu somente a resgatar; Os sentidos traíram-te, e meu senso De parte adversa é mais teu defensor, Se contra mim te excuso, e me convenço Na batalha do ódio com o amor: Vítima e cúmplice do criminoso, Dou-me ao ladrão amado e amoroso.
Soneto 53
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De que substância foste modelado, Se com mil vultos o teu vulto medes? Tantas sombras difundes, enfeixado Num ser que as prende, e a todas sobre excedes; Adônis mesmo segue o teu modelo Em vã, esmaecida imitação; A face helênica onde pousa o belo Ganhou em ti maior coloração; A primavera é cópia desta forma, A plenitude és tu, em que consiste O ver que toda graça se transformaNo teu reflexo em tudo quanto existe: Qualquer beleza externa te revela Que a alma fiel em ti acha mais bela.
Poemas de William Shakespeare
William Shakespeare
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Foi tal e qual o inverno a minha ausência de ti, prazer dum ano fugitivo: dias nocturnos, gelos, inclemência; que nudez de dezembro o frio vivo. E esse tempo de exílio era o do verão; era a excessiva gravidezdo outono com a volúpia de maio em cada grão: um seio viúvo, sem senhor nem dono. Essa posteridade em seu esplendor uma esperança de órfãos me parecia: contigo ausente, o verão teu servidor emudeceu as aves todo o dia. Ou tanto as deprimiu, que a folha arfava e no temor do inverno desmaiava.
Poemas de William Shakespeare
William Shakespeare
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Como voltar feliz ao meutrabalho se a noite não me deu nenhum sossego? A noite, o dia, cartas dum baralho sempre trocadas neste jogo cego. Eles dois, inimigos de mãos dadas, me torturam, envolvem no seu cerco de fadiga, de dúbias madrugadas: e tu, quanto mais sofro mais te perco. Digo ao dia que brilhas para ele, que desfazes as nuvens do seu rosto; digo à noite sem estrelas que és o mel na sua pele escura: o oiro, ogosto. Mas dia a dia alonga-se a jornada e cada noite a noite é mais fechada.
Poemas de William Shakespeare
William Shakespeare
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Ah, que olhos pôs Amor na minha cara mas sem correspondência a fiel vista? Ou se a têm, meu juízo onde é que pára que em tão falsas censuras inda insista? Se é belo o que meus olhos falso adoram que quer dizer o mundo em negação? E se não é,amor mostra se goram seus olhos, menos fiéis que os homens: não, como pode? Como pode, se pranto e espera o afectam, ser fiel no olhar? De erros da minha vista não me espanto, o sol não vê até o céu limpar. Manhoso amor, com choros pões-me cego, mas vendo bem, a tuas faltas chego.
Soneto LXX
William Shakespeare
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Se te censuram, não é teu defeito, Porque a injúria osmais belos pretende; Da graça o ornamento é vão, suspeito, Corvo a sujar o céu que mais esplende. Enquanto fores bom, a injúria prova Que tens valor, que o tempo te venera, Pois o Verme na flor gozo renova, E em ti irrompe a mais pura primavera. Da infância os maus tempos pular soubeste, Vencendo o assalto ou do assalto distante; Mas não penses achar vantagem neste Fado, que a inveja alarga, é...
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