Planos economicos

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  • Publicado : 12 de abril de 2012
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1. INTRODUÇÃO
Por pelo menos duas décadas de sua história recente, o Brasil foi forçado a enxergar a política econômica como um conjunto de medidas de impacto destinadas a tirar o país de crises imediatas - os planos econômicos. Foi assim na sucessão de pacotes anti-inflação dos anos 1980, nos choques de juros que reagiram às grandes convulsões internacionais na década de 1990 e até no segundoturno da eleição presidencial de 2002, quando a cotação do dólar chegou a atingir 4 reais.
Não houve sobressalto na disparatada política econômica brasileira dos últimos 40 anos que não tenha sido acompanhado de perto por diversas revistas e jornais, como a revista VEJA. A revista dedicou reportagens de capa a planos tão alucinados quanto inúteis, como o Cruzado e o Collor, e também ao PlanoReal, que baixou a inflação e expôs defeitos estruturais do país que ainda precisam ser enfrentados.
Em 1986, o Plano Cruzado levou o Brasil da euforia à decepção. O congelamento de preços e salários baixado pelo governo José Sarney mereceu três capas seguidas de VEJA. A revista apoiou o plano, mas deixou claro que ele de nada adiantaria se não se atacasse a causa do surto inflacionário: um estadofalido e perdulário. Passados catorze meses, o plano fez água. A inflação era de 363% ao ano. O fracasso não impediu o Plano Cruzado de gerar dois filhotes ainda na administração Sarney, o Plano Bresser e o Plano Verão - ambos baseados em congelamentos, ambos igualmente malogrados.
O próximo grande e desastrado episódio da luta do país contra o monstro da inflação viria em 1990, quando o Brasilfoi surpreendido com o mais traumático de todos os planos econômicos - aquele que confiscou a poupança e a conta-corrente dos brasileiros. Menos de 24 horas depois de subir a rampa do Planalto como o novo presidente, Fernando Collor detonou uma bomba nuclear sobre a economia. O fiasco, outra vez, não tardou. Tentou-se ainda a implementação do Plano Collor II, no início de 1991. Na ocasião, VEJAreportava que enquanto Sarney levou cinco anos para fazer seus três planos fracassados. Collor experimentava o segundo em apenas dez meses.
Foi com atenção e expectativa, portanto, que em 1993 a revista registrou os primeiros movimentos do então ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, no que culminaria com a primeira direção racional de política econômica no Brasil em décadas. FernandoHenrique Cardoso preparava o Plano Real, a última troca de moedas da história brasileira, colocada em prática oficialmente em 1994. À época de seu lançamento, o plano econômico foi "mais elogiado que as pernas de Claudia Raia", conforme reportou a revista VEJA em junho daquele ano.
Maduro, sem os erros dos pacotes anteriores, o Plano Real desindexou a economia brasileira, livrou o Brasil do vício da"correção monetária" e abriu caminho para a estabilização. A nova moeda enfrentaria obstáculos nos cinco anos seguintes - mas os efeitos positivos de sua implantação são sentidos até hoje. O Real veio para enterrar definitivamente nossas crenças ancestrais em soluções mágicas, como os planos mirabolantes, os congelamentos e os tabelamentos de preço. Pena não ter despertado ainda em nossosgovernantes a disposição para cortar os gastos de um estado que segue gastando demais
2. PLANO CRUZADO – Fevereiro de 1986

Criado pelo governo José Sarney no final de fevereiro de 1986, o Plano Cruzado foi idealizado por Dilson Funaro, então ministro da Fazenda. Entre as principais medidas estavam:

- Congelamento de preços de bens e serviços;
- Reforma monetária, alterando a moeda que passou a sechamar cruzado;
- Congelamento dos salários pela média de seu valor dos últimos seis meses e do salário mínimo em Cz$ 804,00;
- Criação de uma tabela de conversão para transformar as dívidas contraídas em uma inflação muito alta em dívidas contraídas em uma economia de inflação praticamente nula;
- Criação de um tipo de seguro-desemprego para quer fosse dispensado sem justa causa ou em...
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