Pierre clastres arqueologia da violencia

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Arqueologia da violência
pesquisas de antropologia política Pierre Clastres

Prefácio de Bento Prado Jr. | Tradução de Paulo Neves

Publicado em 1980 | Edição brasileira de 2004 Editora Cosac & Naify

Este e-book é dedicado a Yomango S.A. http://www.yomango.org/

Coletivo Sabotagem – Conhecimento não se compra, se toma! http://www.sabotagem.revolt.org/

ÍNDICE

Capítulo 1 O últimocírculo ................................................................................... 18 Capítulo 2 Uma etnografia selvagem...................................................................... 38 Capítulo 3 Atrativo do cruzeiro .............................................................................. 47 Capítulo 4 Do etnocídio........................................................................................ 54 Capítulo 5 Mitos e ritos dos índios da américa do sul................................................ 64 Capítulo 6 A questão do poder nas sociedades primitivas ........................................100 Capítulo 7 Liberdade, Mau encontro, Inominável ....................................................107 Capítulo 8 A economia primitiva...........................................................................121 Capítulo 9 O retorno das luzes .............................................................................137 Capítulo 10 Os marxistas e sua antropologia ...........................................................146 Capítulo 11 Arqueologia da violência: a guerra nas sociedades primitivas....................158 Capítulo 12 Infortúnio doguerreiro selvagem ..........................................................188 Sobre o autor .....................................................................................223

Prefácio*

A outrem, mais competente, caberia a tarefa de apresentar e analisar de forma sistemática a obra de Pierre Clastres, parcialmente conhecida pelo leitor brasileiro, graças à tradução de seu livro A sociedadecontra o Estado.1 Outro é o propósito desta breve nota, que pretende apenas apontar alguns momentos de seu itinerário intelectual, que (interrompido embora por uma morte precoce) marcou tão fundamente a etnologia, o pensamento político e a filosofia da França de nossos dias. Tarefa menor que, estando ao alcance de quem teve a sorte de conviver com o autor desde o início da década de 60, pode serútil ao leitor, dando-lhe uma visão (mesmo que impressionista) do movimento único que, atravessando etapas sucessivas, vem culminar em seus últimos escritos, reunidos neste volume. Como, com efeito, compreender plenamente uma obra sem reconstituir o andamento sinuoso que conduziu à sua expressão) mais completa? Aquele caminhar, por vezes hesitante, que a versão final tende a obliterar, mas que nãodeixa de habitar o espaço aparentemente branco de suas entrelinhas. Talvez não seja inútil recuar no tempo: como Lévi-Strauss, Pierre Clastres iniciou na etnologia a partir de uma formação prévia no campo da filosofia. Mas, ainda que tenha dado seus primeiros passos nesse novo domínio sob a inspiração do mesmo Lévi-Strauss, é certo que tal conversão não correspondeu a uma ruptura tão radical comoa descrita em Tristes trópicos, onde a filosofia ultrapassada não era conservada, mas rejeitada como retórica escolástica e estéril. No caso de Pierre Clastres, o respeito pelo mestre da etnologia francesa não o conduzia a uma denegação do passado ou da filosofia: a prática da análise estrutural não interrompeu o convívio, por exemplo, com a filosofia alemã. Caso raro, para quem se lembra daatmosfera intelectual da época, quando o "estruturalismo" (o efeito ideológico ou mundano da análise estrutural) se apresentava como uma espécie de Juízo Final da Razão, capaz de neutralizar todas as ambigüidades da História e do Pensamento. Se não me falha a memória, no início dos anos 60, mesmo durante sua dura convivência com os "primitivos" do Paraguai, Clastres não interrompeu sua meditação a...
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