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SÉRIE ANTROPOLOGIA

390 A EXPANSÃO DO PATRIMÔNIO: NOVOS OLHARES SOBRE VELHOS OBJETOS, OUTROS DESAFIOS... Izabela Tamaso

Brasília 2006

2 A EXPANSÃO DO PATRIMÔNIO novos olhares sobre velhos objetos: outros desafios…1 Izabela Tamaso Doutoranda em Antropologia Social pelo PPGAS Departamento de Antropologia/UnB itamaso@cultura.com.br Resumo: Nas últimas décadas assistimos à expansãosignificativa da afeição pelo patrimônio. Unesco e Iphan ampliam as políticas públicas para os patrimônios com objetivo de atender ao vasto repertório de expressões culturais e à pluralidade das identidades sociais. O decreto que instituiu o registro dos “bens culturais de natureza imaterial” tem provocado especial interesse dos antropólogos. Se as “referências culturais” são o que se considera “cultura”,elas sempre foram o objeto de registro mais caro dos folcloristas e antropólogos. Contudo, uma diferença há e não é de objeto, mas sim epistemológica. Importa refletir sobre a responsabilidade social dos antropólogos inventariantes que, ao participarem do processo de inventário e/ou registro de um bem cultural, realizam laudos culturais sobre grupos específicos. Analogias com as práticas deantropólogos indigenistas são oportunas. Reflexões antropológicas de ordem teórica e ética impõem-se diante do novo desafio. Palavras-chave: patrimônio cultural; antropologia; políticas públicas; laudos; ética

Abstract: In the last decades we can see an important expansion for the heritage. UNESCO and Iphan extend the public politics for the heritage in order to attend the vast repertory of culturalexpressions and the plural social identities. The edict, that establishes the register of “intangible cultural references”, is instigating the especial interest of anthropologists. If the “cultural references” are what “culture” means, than they are always important matter of register from many folkloristics and anthropologists. Nevertheless, there is some difference and it is not about the subjectitself, but epistemological. It is important to reflect about the social responsibility of inventory maker anthropologists, who make cultural expertises about specific groups, when they participate to the process of inventory and/or register of intangible reference. It is opportune to make analogies with the practices of Indian anthropologists. In front of that new challenge it is necessary tomake anthropologic reflections about its concerning theory and ethic. Key words: cultural heritage, anthropology, public politics, expertises, ethic.
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O presente artigo, revisto e ampliado, foi inicialmente apresentado com o título “Patrimônio Imaterial: velhos objetos, novos desafios”, no Simpósio “Memória, Cidades, Patrimônio”, na 54ª SBPC, em Goiânia, no ano de 2002. Agradeço a Alcida RitaRamos e Klaas Woortmann a leitura atenta, os comentários e as sugestões, lembrando que o argumento aqui desenvolvido é de minha exclusiva

3 Nas últimas décadas, pudemos observar a crescente velocidade com a qual se espalharam mundialmente as obsessões com o passado e, sobretudo, com o que nós costumamos chamar de “patrimônio” (Canclini, 1994; Certeau, 1996; Jeudy, 1990; Lowenthal, 1998a,1998b). As atenções voltaram-se para as raízes e as coleções tomaram conta do Ocidente, espalhando-se por todo o restante do mundo: 95 % dos museus nasceram no pós-guerra e os sítios históricos multiplicam-se aos milhares (Lowenthal, 1998b). A nostalgia pelas “coisas velhas”, em muitos lugares, suplanta o desejo pelo progresso e pelo desenvolvimento. Ou melhor, redireciona o desejo. A “ondauniversalizante da Unesco” torna-se cada vez mais um valor para inúmeras cidades que agora percebem que “moderno é ser antigo” (Tamaso, 2002). O desenvolvimento pode ser buscado por causa do patrimônio. Se antes o patrimônio funcionava como obstáculo do desenvolvimento, agora ele é fundamento deste2. Certeau ressalta que as “coisas antigas [que] se tornam importantes”, inquietando uma ordem produtivista e...
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