Paulo freire e o modelo de alfabetização crítica emancipadora emerso dos círculos de cultura: da leitura do mundo à leitura da palavra

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  • Publicado : 8 de abril de 2012
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Paulo Freire e o modelo de alfabetização crítica emancipadora emerso dos Círculos de Cultura: da leitura do mundo à leitura da palavra
Priscila Monteiro Chaves*

Resumo:
Partindo da máxima freiriana de que a alfabetização, bem como a educação em sua totalidade, é por sua vez um ato político, o presente artigo busca dissertar acerca das práticas que constituíam os Círculos de Cultura a fim decompreender os fatores críticos e emancipadores da alfabetização, segundo Paulo Freire. Concluindo sua estreita relação com o conceito de letramento e seu principal impasse.

Palavras-chave: Círculos de Cultura; leitura; alfabetização; Paulo Freire.

Résumé:

À partir de la maximale de Freire que l'alphabétisation, et l'éducation dans son ensemble, est à soi même un acte politique, cetarticle discute a propos des pratiques qui constituent les Cercles de Culture afin de comprendre les facteurs critiques et émancipateurs de l'alphabétisation, selon Paulo Freire. En conclusion, on trouve son étroite relation avec le concept de letramento et son impasse majeure.

Mots-clés: Cercles de Culture; lecture; alphabétisation; Paulo Freire.





Criador de uma das metáforas maisdenunciadoras do contexto educacional, encontra-se em Paulo Freire um exercício de libertação[1] da pedagogia, fazendo dessa uma pedagogia do outro, uma Pedagogia do[2] Oprimido. No campo da alfabetização, sua vertente não difere. Além do fato de a temática da leitura perpassar várias obras de Freire, ele já dedica parte de seus escritos também, sem explicitação sistemática e sem a pretensão defazer uma ciência da linguagem ou do conhecimento, à discussão em torno dos conceitos de leitura; epistemologia[3]; escrita; linguagem, entre outros de grande relevância à temática aqui abordada. Fenomenólogo ou não, Freire se caracteriza por um escritor-filósofo-educador que se dedicou mais diretamente a pensar a existência, e não as ideias, e dessa forma, tem sua importante participação no queconcerne à competência leitora, trazendo para este a relevância de uma compreensão do mundo imediato de cada um, do mundo vivido, provocado pela fenomenologia.


Assim sendo, quando se pensa em falar de Paulo Freire no que compete ao ato de ler, indiscutivelmente a primeira categoria de seu legado que surge é a Leitura de mundo/Leitura da Palavra, o que em Freire é um direito subjetivo dohomem. Há quem nunca tenha deparado-se com o imperativo categórico de que a leitura de mundo precede a leitura da palavra? Talvez esta seja uma das mais célebres assertivas do autor, o que já aponta uma outra maneira de analisar a capacidade leitora sob outras preocupações, a começar pelos seus primeiros escritos. Desde sua clássica e encetativa Pedagogia do Oprimido, é destinado um cuidado especialao ato de ler já no processo de alfabetização, enfocado na de jovens e adultos, fazendo com que esta deixe de ser um objeto de estudo somente dos campos linguístico e literário, trazendo para essa, a relevância da autonomia quando atesta que saber ler é saber dizer a sua palavra.


Arriscado seria principiar essa reflexão sem uma leitura, ao menos breve, do conceito de linguagem trazidopelo pedagogo inquieto. Cecília Irene Osowski em seu verbete seleciona algumas de suas obras, tais como Educação como Prática da Liberdade, Pedagogia da Esperança e Medo e Ousadia, a fim de melhor recortar e sintetizar um provável conceito. Segundo a autora, Freire vê a linguagem como algo comprometido com nas classes sócias, o que seria permissivo de aceitação e compreensão das diferençassintáticas entre a linguagem dos trabalhadores, “direta e simples como suas vidas e a dos professores em situação de ensino, manifestando-se através de volteios, circunlóquios”(OSOWSKI, p.247). Entende-se a contraposição recém exposta com as seguintes palavras:


a forma crítica[4] de compreender e de realizar a leitura da palavra e a leitura do mundo está, de um lado, na não...
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