Papel da musica na cultura caboverdiana

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  • Publicado : 6 de dezembro de 2012
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A presença de uma consciência comunitária de valor histórico e do Património coletivo, espelho da identidade cultural de um povo, mobiliza uma comunidade na tarefa urgente e incessante da sua defesa. A partir daí desenvolveram-se atitudes no âmbito disciplinar da conservação e do restauro desse mesmo Património. Estas manifestações de dinamismo cultural têm o intuito de preservar para asgerações vindouras a precariedade dos vestígios materiais de muitos anos de história humana e de identidade cultural. Consequentemente dessa consciência do Património nasceu uma imergente e importante ciência patrimonial, da qual a seguir passamos a fazer uma pequena análise.
Este texto tem como objetivo tecer algumas reflexões sobre o Património que cada vez mais, é visto como um fator dedesenvolvimento e só desta forma se podem explicar as novas conceções do mesmo, nomeadamente a Nova Museologia, diretamente relacionada com o conceito ecológico do Património e consequentemente, neste caso, com os “modos de vida rurais”.
O património surge-nos, inicialmente, relacionado com aspetos históricos e artísticos, contudo também se compõe num discurso sobre o passado cujo exemplo é um conjunto devalores avaliados por determinados agentes sociais no sentido de validar determinados status vigentes.
São cartas mitológicas para toda a comunidade, destinando-se a definir essa comunidade.
Mas esta definição deve incluir uma legitimação das suas estruturas de dominação política e económica através da qual a comunidade se identifique enquanto tal (Frentress; WlckhmanI, 1994).
Tradicionalmente,tais manifestações de património são apresentadas de forma dividida por subcategorias correspondentes às diferentes áreas do conhecimento científico. Desta forma, poderíamos falar em património cultural, natural, paisagístico, arqueológico e assim sucessivamente, enquanto expressões específicas supostamente dotadas de uma autonomia capaz de insinuar a ausência de inter-relações.
Segundo DURHAM(1984) o património cultural deve ser concebido como cristalizações de um trabalho morto que se torna importante exatamente na medida em que se investe nele um novo trabalho cultural, através do qual o espaço adquire novos usos e novas significações. Uma das caraterísticas deste processo de construção cultural reside exatamente no facto de que, quanto maior a carga simbólica conferida no passado aum bem cultural, tanto mais ricas serão as possibilidades da sua utilização futura.
Nesta perspetiva, temos presenciado um crescente e, cada vez mais, complicado número de iniciativas, a várias escalas, relacionadas com a valorização do património nas suas diferentes conceções, com o objetivo último de dotar espaços marginalizados de algum dinamismo económico e demográfico, na maioria dos casosdiretamente relacionadas com a atividade turística, assente no aproveitamento dos recursos internos.
Podemos indicar as minas da Borralha, como um exemplo da especificidade das inter-relações entre os Grupos Humanos e o Espaço, entendido como palco das suas ações, conjugando diferentes interligações entre os diversos elementos da paisagem (Durand: 2006).
Assim, é impreterível percebermos atéque ponto os elementos antropogénicos da paisagem e o seu substrato natural podem ser entendidos e valorizados patrimonialmente, contribuindo, desta forma, para o desenvolvimento local mais amplo que o simples aproveitamento turístico, cada vez mais necessário neste como em outros territórios, colocando-se muitas vezes a questão - conservar como?
“Conservar é lutar contra o tempo. Procurarsubtrair alguma coisa aos efeitos normais da destruição, da perda ou do esquecimento. É também tentar opor-se, tentativa evidentemente sempre coroada de fracasso, àquilo que é a própria essência do tempo, o irreversível. Neste sentido muito lato, a conservação pode aplicar-se em primeiro lugar aos objectos materiais, mas também ao saber, á língua, à cultura, à própria vida. Pode inscrever-se em...
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