Os xipehuz

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Os Xipehuz (J.H. Rosny)
Ficção Científica e Romance Pré Histórico
Esteve a humanidade ameaçada por outra raça na aurora da civilização? Esse é tema central desse conto que  foi escrito em 1887 pelo Escritor belga J. H. Rosny Sr. (ou ''ainé" - mais velho - em francês), tendo sido editado pela primeira vez em 1888. Rosny, embora pouco conhecido, especialmente no Brasil, foi um dos pioneiros damoderna Ficção Científica. Escreveu  algumas outras obras de SciFi além desta e também outros livros de Mistério, Terror, Aventuras Pré-históricas, outras Aventuras, Romances diversos e outros. Um de seus livros, "La Guerre du Feu" (A Guerra do Fogo), um romance pré-histórico publicado inicialmente em 1909, teve versão cinematográfica em 1982, pelo diretor Jean Jacques Annaud.
O presente conto é oprimeiro do livro "La Mort de la Terre", que apresentava outros pequenos contos de J. H. Rosny, além da história que dá título à publicação. A versão original em francês utilizada para esta tradução é das "Éditions Denoël" (Ed. 1958 - França) - livro "La Mort de la Terre", cuja primeira edição foi em 1912. Não há outra tradução dessa obra em português no Brasil, além desta. Há, porém, informaçõessobre tal estória traduzida para o  português, tendo sido publicada em Portugal.
Trata-se do primeiro conto de ficção cientifica no qual os seres alienígenas não têm forma humanóide ou similar, não são animais, nem vegetais. A estória passa-se na região da Mesopotâmia, num período pré-histórico.
Nesta tradução deixamos os nomes dos locais, das tribos e das pessoas com a ortografia do originalfrancês. A palavra que consta do título, "Xipehuz", deve ter sua pronúncia considerada com "Qsipeuz".

Tradução por Carlos Carrion Torres

Os Xipehuz
Livro Primeiro
Um
As Formas
Ocorreu mil anos antes da força civilizadora da qual surgiriam mais tarde Nínive, Babilônia, Ecbátana. A tribo nômade de Pjehou com seus mulos, seus cavalos, suas reses, atravessava a bravia floresta de Kzour numentardecer que era tecido pelos raios oblíquos do sol. O cantar do crepúsculo crescia, flutuava, descia, em harmonioso recolhimento. Todos estavam exaustos, mantinham-se silentes na busca de uma bela clareira onde a tribo pudesse acender o fogo sagrado, ter seu repasto noturno, adormecer ao abrigo das feras, protegidos por dupla barreira de braseiros rubros.
As nuvens se pintavam em coresopalescentes, paisagens ilusórias vagavam pelos quatro horizontes, os deuses da noite sopravam uma canção de ninar,  a tribo ainda vagava. Um batedor retornou a galope, anunciando uma clareira e água, uma fonte pura. A tribo emitiu três longos brados, todos avançavam mais rapidamente. Risos pueris se irradiaram; os cavalos e mesmo os muares, acostumados a reconhecer a proximidade de uma paragem, com a voltados arautos e as aclamações dos nômades, garbosos erguiam seus pescoços.
A clareira se mostrou. A fonte de água aí abria seu caminho entre musgos e arbustos. Porém, uma fantasmagoria se descortinou diante dos nômades. Era basicamente um grande círculo formado por formas cônicas azuladas e translúcidas, as pontas voltadas para cima, cada uma com o volume de aproximadamente metade de um homem.Estreitas faixas claras e circunvoluções sombrias se distribuíam sobre suas superfícies. Cada um deles apresentava, próxima à base, uma estrela resplandecente.
Mais afastadas - e igualmente estranhas - viam-se massas verticais formadas por estratos, muito semelhantes a cascas de bétula, raiadas por elipses versicolores. Havia ainda, aqui e acolá, algumas formas quase cilíndricas, porém variadas:umas delgadas e altas, outras baixas e atarracadas, todas de cor brônzea, pontilhadas em verde, todas apresentando, como os estratos verticais, o característico ponto luminoso.
A tribo olhava, estupefata. Um temor supersticioso enregelava os mais bravos - pavor que cresceu quando as formas se puseram a ondular por entre as sombras grises da clareira. E, subitamente - com suas estrelas a tremeluzir...
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