"Os maias" - jantar do hotel central

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  • Publicado : 24 de fevereiro de 2013
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Episódio do Jantar no Hotel Central
     Este episódio surge no capítulo VI do romance e integra a chamada crónica de costumes. Estamos perante um acontecimento eminentemente mundano, integrado na crónica de costumes (recordar o subtítulo «Episódios da Vida Romântica»), cujo objetivo central é homenagear o banqueiro Cohen, de cuja mulher Ega (o promotor da homenagem) é amante.

1. Objetivos• Homenagear o banqueiro Jacob Cohen, uma iniciativa de João da Ega («... o Ega, alargando pouco a pouco a ideia, convertera-o agora numa festa de cerimónia em honra do Cohen...»).
• Retratar a sociedade lisboeta.
• Proporcionar a Carlos da Maia o primeiro contacto com o meio social lisboeta.
• Apresentar a visão crítica de alguns problemas.
• A nível da ação central:proporcionar a Carlos o primeiro encontro com Maria Eduarda.

2. Intervenientes

          . João da Ega

     Promotor do jantar, uma homenagem ao banqueiro Jacob Cohen, marido da «divina Raquel», com quem mantém uma relação adúltera, João da Ega defende o Realismo / Naturalismo. Ao assumir esta posição, acaba  por convocar o poeta Tomás de Alencar, representante do Ultrarromantismo, e criar umaenorme discussão. A sua postura ao longo do jantar assemelha-se à adotada pelos jovens escritores da Geração de 70, profundamente revolucionários, o que o leva, por vezes, a recorrer a argumentos exagerados para sustentar as suas ideias.

          . Jacob Cohen

     É o homenageado durante o jantar, o marido da «divina Raquel», diretor do Banco Nacional, por isso o representante das Finançasna obra.

          . Tomás de Alencar

     Representante do Ultrarromantismo, é confrontado com os princípios naturalistas / realistas defendidos por Ega.

          . Dâmaso Salcede

     É o tipo do novo rico burguês e a súmula dos defeitos da sociedade: provincianismo, vaidade, futilidade e oportunismo (repare-se como louva Carlos da Maia com o intuito de assumir uma posição maispreponderante na sociedade.

          . Carlos da Maia

     O episódio proporciona-lhe o primeiro contacto com a sociedade, mantendo, durante o evento, uma posição relativamente discreta.

          . Craft

     Representante da cultura artística e britânica, Craft tem uma participação pouco relevante neste episódio.


3. Temas discutidos durante o jantar


          1. Literatura• Tomás de Alencar:
• defensor do Ultrarromantismo;
• opositor do Realismo / Naturalismo, que qualifica depreciativamente como «pústula», «pus», «literatura latrinária», «o excremento»;
• incoerente: condena no presente o que cantara no passado: o estudo dos vícios da sociedade;
• falso moralista: refugia-se na moral por não ter outra arma de defesa, outros argumentos -considera o Realismo / Naturalismo imoral;
• vive desfasado do seu tempo: «... escreveu dois folhetins cruéis; ninguém os leu...»;
• crítico do poeta Craveiro (Antero de Quental?), o «paladino do Realismo» e da «Ideia Nova»;
• defensor da crítica literária de natureza académica:
• feita de ataques pessoais e de calúnias;
• preocupada com aspetos formais em detrimento dosaspetos temáticos («... dois erros de gramática, um verso errado...»);
• obcecada com o plágio («... uma imagem roubada a Baudelaire...»).
• João da Ega:
• defensor do Realismo / Naturalismo;
• distorce e exagera as teses realistas / naturalistas (agnosticismo, positivismo, dependência das anomalias sociais de fatores como a educação, o meio, a hereditariedade, a raça...);
•defensor do cientificismo na literatura;
• não distingue Ciência e  Literatura.
• Carlos:
• recusa o ultrarromantismo de Alencar;
• defende o romance como análise social: «Esse mundo de fadistas, de faias, parecia a Carlos merecer um estudo, um romance...»;
• considera intoleráveis os ares científicos do Realismo: «... o mais intolerável no realismo eram os seus grandes...
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