Na cozinha com adolfo

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ADOLFO SANTOS TURBAY

NA COZINHA COM ADOLFO

Editora Aliança & Integração Ltda

ADOLFO SANTOS TURBAY

NA COZINHA COM ADOLFO

Editora Aliança & Integração Ltda

Coordenação/Orientação: Adolfo Santos Turbay: Capa/Foto: Adolfo S. Turbay Diagramação: Adolfo Santos Turbay Revisão: Adolfo Santos Turbay Impressão/Acabamento: Editora Aliança & Integração Ltda Todos os direitos reservados.Nenhuma parte desta edição pode ser utilizada ou reproduzida – em qualquer meio ou forma – seja mecânico ou eletrônico, fotocópias, gravação, etc – nem apropriada ou estocada em sistema de banco de dados, sem a expressa autorização do escritor. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira de Livros, C.P. Brasil) TURBAY, Adolfo Santos: Na cozinha com Adolfo 3.Técnicos –Gastronomia 1ª Edição – 2011 I. Título CDD-022.5

Índices para catálogo sistemático 1. Técnico - Gastronomia 022.5 2. Técnico - Gastronomia 022.5 ISBN Todos os direitos reservados Editora Aliança & Integração Ltda

UMA PEQUENA EXPLICAÇÃO...
Um dia sonhei um sonho interessante. Eu me vi como um rapaz preto, logo após a Lei Áurea. Corria o ano de 1890. A cidade, pelo que pude perceber eraCuritiba. O mês me dizia ser junho-julho, pois o frio era intenso e o tempo muito úmido. Caminhava eu pela Praça Tiradentes – que tinha um lay-out diferente do que se vê hoje. Com poucas roupas, descalço, com muita fome, eu me vi preocupado, pois além da fome aumentar gradativamente, eu só percebia pessoas brancas passando por mim. Lembro-me que pensava: O que um preto está

fazendo nesta cidade depessoas brancas?
Sentei-me na escadaria da Igreja Matriz e fiquei esperando alguém – um cristão de boa alma – acenar-me com algum tostão ou, se Deus existisse – com uma côdea de pão. As migalhas já me reconfortariam. Uma senhora parando ao meu lado, colocou de forma elegante e discreta os dedos nas narinas, falou-me:

- Está precisando de trabalho, rapaz? Assustado com a pergunta olhei-a commeus olhos arregalados. Primeiro porque nunca pensei que uma senhora elegante como ela dirigiria a palavra para mim, segundo que quase morri quando ouvi a palavra – trabalho. Balbuciando, respondi: - Ahann, si.. Si... Sim, tô. Ela chegando mais perto, apontou-me um restaurante do outro lado da Praça e disse: - Aquele restaurante é meu. Estou precisando de ajuda. Se quiser trabalhar para mim,apareça lá. Dirigi meu olhar para onde ela apontava e lépido levantei-me e corri para o local. Ela sorrindo argumentou: - Ei! Calma! Eu vou confessar-me, e só depois vou para lá. Espera-me aqui. Quando eu sair vamos até lá para conversarmos. Retrocedi aos meus passos e sentei-me de novo no degrau da escadaria. Um calor envolveu-me e minha alma chorou. E ali fiquei até vê-la sair da Matriz. Levantei-me ecom o coração quase saindo pela boca, olhei-a na

esperança de que ela ainda se lembrasse da promessa feita. Parou ao meu lado, sorrindo disse-me: - Vamos? Acompanhei-a como se andasse em nuvens. Sem acreditar, levei meu pensamento ao Deus dela e agradeci. Na verdade penso que orei. Se não estava enganado, foi a primeira vez que fiz isso. Entramos. Ela apontou-me uma cadeira, deu a volta namesa e sentou-se de frente para mim. Perguntou-me: - Qual o seu nome? Fiquei olhando-a assustado. Meu nome? Pensei. Busquei em minha memória um nome. Qualquer um que eu pudesse dizer. Pois minha vida inteira, desde meu nascimento, chamavam-me Negrinho! Quando eu trabalhava em uma fazenda, no interior do estado de São Paulo, Taubaté, meu dono-patrão chamava-se Adolfo e este era um nome que euadmirava. Sem pestanejar, respondi: - Adolfo!

Ela ficou olhando-me som um sorriso nos olhos e nos lábios e comentou: - Que nome bonito. Meu filho assim se chama. Casou-se ano passado e foi embora para o Rio. Ele quem me ajudava aqui no Restaurante. Hoje estou sozinha e cansada. Por isso preciso de um braço forte para me ajudar. Alguém que lave as louças, cuide da limpeza do local, arrume as mesas,...
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