movimentos sociais

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Os Movimentos Sociais em Alain Touraine
Prof. Dr. Selvino Antonio Malfatti
(Instituto de Filosofia Luso-Brasileira – Lisboa - Portugal)
samatti@gpsnet.com.br

Resumo: Com a proposta dos Movimentos Socais Alain Touraine pretende superar tanto o
liberalismo, com seu individualismo, com o socialismo marxista, com seu coletivismo. Os
movimentos sociais dotariam os homens de um ethos quedispensaria partidos, parlamentos da parte
liberal e revoluções da parte marxista. O homem seria renovado interiormente passando a agir
espontaneamente e não forçado pelas leis. O móvel da política não seria mais o Estado, mas o
próprio povo. Em síntese, conforme Touraine, um regime nacional-popular caracteriza-se por um
Estado guardião da nacionalidade, contra a invasão de bens e de culturaestrangeira.
Palavras-chave: Movimentos sociais; Liberalismo; Marxismo; Povo; Política.

1. Considerações iniciais
Na literatura sociológica os Movimentos Sociais situam-se no âmbito da ação social
coletiva. Esta, por sua vez, na fundamentação teórica, traz em seu bojo duas visões
antagônicas: a irracional e a racional. Entre as primeiras podem ser citadas as visões de
Gabriel Tarde e Ortega yGasset, e, entre as segundas, Marx, Dürkheim e Weber (BOBBIO,
Movimentos Sociais, 2000).
Para Tarde, as multidões não possuem opinião. Guiam-se somente por aquilo que os
outros pensam e fazem. Onde houver multidão há um ou mais líderes com opinião e os
demais, apegam-se às tradições ou seguem cegamente quem os conduz. Pessoas de opinião
são minorias e as maiorias são multidão sem opinião (TARDE.2005, p. 59-61).
Ortega Y Gasset, por sua vez, concentra sua crítica na questão da presença e “ação
direta” das massas. Para ele, a presença das massas representa um retrocesso cultural.
Enquanto a sociedade se pautava por corpos intermediários havia equilíbrio, bom senso,
respeito. Quando, porém, as massas começaram a intervir, iniciou-se um processo de
deteriorização social. A massaaniquila a oposição e abandona a civilização. Após a
humanidade haver chegado ao grau da civilização da democracia representativa, decaiu
para a “ação direta”, um retrocesso civilizatório (ORTEGA Y GASSET, 1962, p. 125-134).
Os defensores da racionalidade da ação social vêem neles formas compreensíveis de
ação coletiva, explicável no contexto de uma estrutura global.

Revista Estudos Filosóficosnº 6 /2011 – versão eletrônica – ISSN 2177-2967
http://www.ufsj.edu.br/revistaestudosfilosoficos
DFIME – UFSJ - São João del-Rei-MG
Pág. 217-228

Tomemos como modelo Karl Marx. Para ele, a ação social, e nela os movimentos
sociais, tem explicação racional, isto é, está alicerçada nos modos de produção. Se os
modos de produção variarem, a sociedade também muda. Logo, a sociedade é umavariável
dependente dos modos de produção. Diz Marx:
Em todas as formas de sociedade se encontra uma produção
determinada, superior a todas as demais, e cuja situação
aponta sua posição e influência sobre as outras. É uma luz
universal de que se embebem todas as cores, e que as
modifica em sua particularidade. É um éter especial, que
determina o peso específico de todas as coisas emprestandorelevo ao seu modo de ser. (MARX, 1982, p. 180).

Emile Dürkheim, considerado o verdadeiro fundador da sociologia científica,
procura buscar em toda sua obra a racionalidade dos fatos sociais. Pretende encontrar na
ação social não somente um caráter finalista, mas uma causa eficiente. Da mesma forma,
não busca explicações fora dos fatos sociais, isto é, explica os fatos sociais por fatos
sociais.Nisso estaria sua racionalidade (DÜRKHEIM, 1997, p. 78-108).
Max Weber parte do princípio de que a racionalidade reside na compreensão da
ação humana. Diante disso, procura entender que o móvel da ação é o sentido que se lhe
presta. Nisso estaria sua racionalidade. Esta pode ser racional com fins, racional com
valores, tradicional ou sentimental. Evidentemente que o sentimental e o...