Modulo 6

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Escola ________________________________________
Ano lectivo ________ / ________
MÓDULO 6 TEXTOS ARGUMENTATIVOS
Teste 1
1. Lê o texto com atenção e responde ao questionário, redigindo respostas estruturadas e gramaticalmnte correctas.
Sermão de Santo António (aos Peixes), de Padre António Vieira
Passando dos da Escritura aos da História natural, quem haverá que não louve e admire muito avirtude tão celebrada da Rémora? No dia de um Santo Menor1, os peixes menores devem preferir aos outros. Quem haverá, digo, que não admire a virtude daquele peixezinho tão pequeno no corpo e tão grande na força e no poder, que, não sendo maior de um palmo, se se pega ao leme de uma Nau da Índia, apesar das velas e dos ventos, e de seu próprio peso e grandeza, a prende e amarra mais que as mesmasâncoras, sem se poder mover, nem ir por diante? Oh se houvera uma Rémora na terra, que tivesse tanta força como a do mar, que menos perigos haveria na vida, e que menos naufrágios no mundo! Se alguma Rémora houve na terra, foi a língua de S. António, na qual, como na Rémora, se verifica o verso de São Gregório Nazianzeno: Lingua quidem parva est, sed viribus omnia vincit2. O Apóstolo Santiago, naquelasua eloquentíssima Epístola3, compara a língua ao leme da Nau e ao freio do cavalo. Uma e outra comparação juntas declaram maravilhosamente a virtude da Rémora, a qual, pegada ao leme da Nau, é freio da Nau e leme do leme. E tal foi a virtude e força da língua de S. António. O leme da natureza humana é o alvedrio4, o Piloto é a razão; mas quão poucas vezes obedecem à razão os ímpetos precipitadosdo alvedrio? Neste leme, porém, tão desobediente e rebelde mostrou a língua de António quanta força tinha, como Rémora, para domar e parar a fúria das paixões humanas. Quantos, correndo Fortuna na Nau Soberba, com as velas inchadas do vento e da mesma soberba (que também é vento), se iam desfazer nos baixos, que já rebentavam por proa, se a língua de António, como Rémora, não tivesse mão no leme,até que as velas se amainassem, como mandava a razão, e cessasse a tempestade de fora e a de dentro? Quantos, embarcados na Nau Vingança, com a artilharia abocada e os bota-fogos acesos, corriam enfunados a dar-se batalha, onde se queimariam ou deitariam a pique, se a Rémora da língua de António lhe não detivesse a fúria, até que composta a ira e ódio, com bandeiras de paz se salvassemamigavelmente? Quantos, navegando na Nau Cobiça, sobrecarregada até as gáveas e aberta com o peso por todas as costuras, incapaz de fugir, nem se defender, dariam nas mãos dos Corsários com perda do que levavam e do que iam buscar, se a língua de António os não fizesse parar, como Rémora, até que, aliviados da carga injusta, escapassem do perigo e tomassem porto? Quantos, na Nau Sensualidade, que semprenavega com cerração5, sem Sol de dia, nem Estrela de noite, enganados do canto das Sereias e deixando-se levar da corrente, se iriam perder cegamente, ou em Cila6, ou em Caríbdis6, onde não aparecesse Navio nem navegante, se a Rémora da língua de António os não contivesse, até que esclarecesse a luz, e se pusessem em via?
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Sumário
Leitura analítica e crítica: Sermão de SantoAntónio (aos Peixes). Funcionamento da língua: Orações subordinadas; formas verbais pronominais. Expressão escrita: texto argumentativo.
1 um Santo Menor: Santo António, a ordem de S. Francisco a que Santo António pertencia era uma ordem Menor.2 S. Gregório Nazianzeno (N. de V.). Trad.: Na verdade a língua é pequena mas vence tudo em esforço.3 Epístola de S. Tiago, 3, 3-5. 4 alvedrio: decisãoque depende apenas da vontade; capacidade de optar pelo bem ou pelo mal. 5 cerração: escuridão; trevas.6 Cila, ou em Caribdis: escolhos no estreito de Messina onde se afundavam muitos navios (referência literária).
A. Compreensão e interpretação
1. Atenta na descrição da rémora (ll. 1-4).
1.1. Indica duas das suas características físicas.
1.2. Qual é, segundo o texto, a «virtude» deste peixe?...
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