Modernidade, imperialismo e primeira guerra sob diálogos multideminsionais.

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  • Publicado : 9 de abril de 2013
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Entender o fenômeno da modernidade passa por um árduo processo de compreensão do desenvolvimento capitalista, do sentimento nacional e do imperialismo e a maneira como esses elementos influenciaram o meio politico e social europeu, explicitados na deflagração na Primeira Grande Guerra Mundial, em 1914. Para tanto, cabe aqui ressaltarmos as concepções de alguns autores no que tange a essesfatores, analisando as convergências e divergências entre os mesmos, sob a ótica histórica, especialmente, dos séculos XIX e XX. O que foi a modernidade? O que constituiu a sociedade moderna e quais foram os fatores que contribuíram no surgimento da mesma, em detrimento da “perda” (ou não) das concepções tradicionais da vida e do meio politico? Edgar de Decca aborda a questão da modernidade sob umavisão otimista e eurocêntrica, entretanto, apresenta as contradições desse período sob a ótica negativa do Imperialismo (que discutiremos adiante) na vida do homem comum moderno. Segundo o autor, a noção de dimensão do sonho de expansão e de dominação imperialista se projetou nas mentes dos homens comuns das cidades europeias, que “iniciou-se como uma viagem de sonhos fascinantes e aos poucos, foi setransformando num verdadeiro pesadelo [...]”. Para ele, a modernidade, entendida como reflexo do desenvolvimento industrial e capitalista, propiciou avanços na melhoria das condições de vida com o desenvolvimento das ciências e da medicina, além da abertura de novos negócios voltados ao aproveitamento do tempo livre e de lazer do homem moderno. No entanto, gerou uma espécie de mal-estar dacivilização europeia com sua própria identidade, cujos homens estavam sujeitos a novos padrões e diferentes estímulos e desejos, o que, consequentemente, fez surgir novas áreas do conhecimento, como a psicologia e a antropologia. Esta última está intrinsecamente ligada ao turismo que acompanhou diretamente a politica imperialista. Vale ressaltar que a modernidade contribuiu na sensação de que tudoestava em expansão e transformação e que o desenvolvimento cientifico só foi possível pelo desenvolvimento tecnológico oriundo da industrialização, logo, o capitalismo. Em contrapartida, Marshall Berman, filósofo estadunidense de tendência marxista, constrói a modernidade numa visão mais “pessimista”. Embora aborde as beneficies da mesma, considera que, simultaneamente, ela destrói tudo “o quetemos, somos e sabemos”, projetando os indivíduos num contexto de desintegração e mudança. A modernidade é composta por vários elementos, dentre eles as descobertas cientificas, industrialização da produção, desenvolvimento tecnológico, explosão demográfica, capitalismo expansionista (imperialismo) e Estados cada vez mais fortes. Considera que por essas características, o homem passa a ter papelsecundário na sociedade, cujo progresso e as fábricas assumem a responsabilidade de protagonistas na modernidade, na medida em que o destino dos indivíduos é determinado pela ordem capitalista. Ele constrói essa argumentação através da concepção de Weber que “o homem torna-se um ser incapaz de responder, julgar ou agir diante da realidade moderna”. Nesse mesmo contexto da modernidade, cabe analisarmosa formação das nações e sua íntima relação, segundo Eric Hobsbawn, com o liberalismo. Sua proposta é reconstruir a teoria liberal coerente da nação que começou dando o significado de Estado territorial desta. Para ele, a formação das nações coincide com a era clássica do liberalismo e o Estado-Nação desempenhou uma função específica no processo de desenvolvimento capitalista, “o desenvolvimentoda economia mundial moderna foi integralmente vinculado as ‘economias

nacionais’ de Estados territorialmente desenvolvidos. Segundo o autor, que constrói sua argumentação sob uma dialética marxista, a fragmentação da humanidade em nações foi útil na medida em que desenvolveu a competitividade econômica, cujas funções do governo podiam até ser racionalizadas pelos economistas liberais como...
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