Moasipriano

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Quer adaptar este texto para teatro, televisão ou cinema? Saiba que esta obra está sob uma licença Creative Commons. *** Caso goste do livro, considere uma pequena doação ao autor. *** Sobre mim-eu-mesmo: “Moa Sipriano produz exclusivamente literatura adulta que aborda todos os meandros do universo gay masculino. Seus artigos realistas, contos polêmicos e romances homoeróticos remetem àreflexão e promovem momentos excitantes de surpreendentes descobertas.”

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É tão fácil arrumar um marido!
Moa Sipriano 2010

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Novembro. Sábado. Quatro da tarde. Inicio o velho ritual. Realizo, angustiado, os preparativos básicos para mais uma noitada daquelas. Eu quero mais é que o planeta se dane. Foda-se a Mãe Natureza. Ainda é pouco para o meu prazer uma hora exata debaixo dochuveiro. Eu lavo, esfrego, aliso. Água, água, água. Espuma, espuma, espuma. Tudo, do lado de fora, tem que parecer perfeito! Enrugado depois de tanta água fumegante, vou correndo para o departamento dos cremes, escovas, perfumes e afins. Afundo-me na velha cadeira. Encaro um espelho que insiste em apontar meus defeitos. Por dentro. Por fora. Por todo lado. Disfarço a mediocridade da minha aparência emcronometrados quarenta minutos. Dou meus truques embalado por Miley Cyrus. A roupa, é claro, já repousa no cabide, conjunto escolhido desde a última quinta-feira. Tudo combinando. Calça e camisa by C&A. Duas peças divididas em doze prestações. Espero que o investimento, desta vez, valha a pena. Meu visual anti-Restart-mais-pra-Nightwish repousa sobre a cama de solteiro. Eu, agora retocado, sonho emme casar nesta noite. Mais uma vez. Meu Deus, o cabelo. Eu quase me esqueci do novo penteado. Assopra, esquenta, estica, alisa, faz escova, joga o topete para trás. Gel. gel. gel gosmento de uma marca camelô. Pelo menos o troço cheira gostoso. Olho no espelho. Tô linda! O topete? Algo meio Zac Efron. O brilho... Jesus, me abane!... cadê a porra do brilho! Quero mais brilho! Assopra, esquenta umpouco mais... assim... ufa... perfeito! Gasto mais trinta e sete minutos. Comer algo antes de sair? Nem pensar. Já imaginou se empanturrar de arroz, feijão e ovo frito e de madrugada, na hora “G”, passar um cheque no pau do bofie; fazer um fondue de barro na camisinha? Deus me acuda e me enfie debaixo do Seu Saiotão! *** E a noite veio com força total. Luzes, buzinas, caos. Chegamos à boate embandos. No velho interior de novo visual, engulo nicotina e o cheiro de sexo, muito sexo, bate na minha cara coberta de base Avon. Música alta. Decibéis deflorados. Começo meu desfile entre meus iguais que lutam para ser diferentes. Fico orgulhoso por ainda causar certo furor por onde passo. Produção OK. Postura OK. Cabelão... OK. Corpo perfumado na medida e hálito impecável... tudo OK. Feliz trintaanos. Tudo artificialmente em cima. Vamos à luta. Vogue Remix. Madonna sempre dá certo. Um pouco de pose. Meus olhares catapultam 4

pretendentes. Uso visões periféricas para abocanhar todos os alvos. Sinto que sou comido por uma dezena de olhos arroxeados. Mais vogue, mais pose. Dance, dance, dance. Só no All Star. Encontro mais amigos. Os mesmos purpurinados de sempre. Ignoro sem ignorar.Solto o sorriso forçado no ar, sempre falso, como a jogar ao longe: “Hello Bofie, tô aqui.Venha me come... consumir!” Pedido feito, desejo realizado. Pintou a única caça da noite. Dou um “chega-pra-lá” nos bambees parasitas. Mais vogue, mais pose. Inicio o rebolar um tanto chamativo. Sou muito beesha quando caço. Não dá pra negar a Passivona que vive em mim. Num caminhar que só eu julgo sensual, saltona direção do Escolhido. Sento-me à mesa, acendo um cigarro, abro um sorriso. Tudo mecânico, tudo rotina, tudo mais-do-mesmo. Caça Número 297 – menino tímido, fazendo a linha Justin QAF – fica encantado. A velha troca básica de currículos. Claro que tudo é um rosário de mentiras deslavadas. Tenho que impressionar. Ninguém busca relacionamentos sérios para ouvir verdades. A verdade é chata, a...
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