Michel foucault

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  • Publicado : 5 de novembro de 2012
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Artigo
A Possibilidade de conhecimento em Kant:  Fenômeno x Noumeno
Retomemos a questão kantiana exposta na primeira parte deste artigo: por quê, afinal, é possível o conhecimento a priori na mecânica de Newton e não na Metafísica ?
Conhecimento a priori significa um tipo de conhecimento que envolve necessidade. Ora, algo é necessário quando sua negação é impossível ou implica contradição. Umexemplo clássico seria o enunciado “o triangulo tem três lados”. Trata-se de um enunciado logicamente necessário porque se eu o nego produzo uma contradição, ou seja, afirmo e nego algo ao mesmo tempo – afirmar que “o triangulo não tem três lados” é afirmar que uma figura de três lados (o triangulo) não tem três lados; figura de três lados, com efeito, é a própria definição de uma triangulo, o quetorna a afirmação “o triangulo tem três lados” uma necessidade lógica. Os princípios lógicos não são mais que os princípios da razão pura. Portanto, apoiado exclusivamente na razão pura, eu posso fundar o conhecimento necessário do ponto de vista lógico formal, ou seja, posso produzir um tipo de conhecimento a priori. Entretanto, o conhecimento que a metafísica pretende obter pela razão pura nãoé um conhecimento necessário do ponto de vista lógico-formal. Deste modo, podemos entender porque a física e a matemática obtêm sucesso onde a metafísica só acumula fracassos: as primeiras estão calcadas no conhecimento lógico-formal, enquanto a segunda não está. Além disso, a ciência físico-matemática é capaz de um conhecimento necessário que se funda também na experiência: a partir de leisnecessárias e universais, estas ciências unem experiência e razão e, desse modo, conseguem explicar com segurança seus fenômenos. Não é de se estranhar, portanto, que Kant tenha adotado por tipo de conhecimento o aspecto do conhecimento que se havia tornado familiar à física de Newton: duma parte, uma série de experiências esparsas; doutra, um conceito ou lei que o espírito descobre e que cria a ligaçãoou unidade entre as experiências. Para melhor circundar a questão, voltemos a Hume.
Kant considera fundamental o questionamento proposto Hume, e, para melhor enfrentá-lo, considera que o conceito de causa não decorre da experiência, mas é uma capacidade que o homem possuí a priori. O conceito de causa, entre outros, seria uma forma de pensamento que o homem possui a priori, cujo uso correto, noentanto, só se dá no interior da experiência. Dessa forma, o pensador prussiano acaba por se opor também a Descartes, Leibniz e Wolff, que colocavam a causa dos fenômenos numa inteligência divina. Grife-se com atenção: para Kant é o homem, e não um ser superior, o princípio da explicação. Eis aqui a “revolução copernicana”, efetuada por Kant, a propósito de sua investigação da razão: assim comoCopérnico, que havia afirmado que o centro do universo é o sol e que os planetas giram ao redor deste, Kant irá afirmar que se deve colocar no centro da questão acerca do conhecimento não os objetos e/ou a realidade objetiva, mas sim o próprio sujeito do conhecimento, ou seja, a própria razão. Uma coisa existe quando pode ser posta pelo sujeito cognoscente, entendido não como um sujeito individual(João, Maria, Pedro, etc...), mas como sujeito universal ou estruturaa priori  universal da razão humana, aquilo que Kant denominará de Sujeito Transcendental – comecemos, portanto, pelo sujeito do conhecimento. E comecemos mostrando que este sujeito é a razão universal, é o sujeito conhecedor. Em outros termos: Kant transfere a preocupação com o mundo como objeto da ciência para o homem enquantocapaz de fazer ciência no mundo. Ao buscar e explicar a capacidade do entendimento humano, Kant associa homem e mundo na explicação científica – no processo de conhecimento, as condições humanas a priori se vinculam à experiência, o que impede que o sujeito do conhecimento se anule frente ao objeto que deve ser conhecido. Além do objeto que deve ser conhecido, que é fundamental para a produção...
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