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Marxismo e política de cotas
 

"Quando a questão do racismo no Brasil começar a sair dos livros, artigos, dissertações e teses de pesquisadores, quando deixar de ser problema do negro para se tornar preocupação de todas as forças e instituições do país, quando sairmos da fase do belo discurso e das boas intenções sem ações correspondentes, poderemos dizer então que entramos na verdadeirafase de engajamento para transformar a sociedade; estaremos saindo do pesadelo para entrar num sonho, e do sonho para entrar numa verdadeira esperança."
Kabengele Munanga (1996: 219)
Apresentação
Neste artigo apresentamos uma contribuição para o debate teórico sobre a formulação e implementação de políticas afirmativas em favor dos cidadãos negros no Brasil, com a intenção de colocarmos maisuma viga na ponte que pretendemos que una as lutas específicas de alguns segmentos populacionais que têm a sua cidadania negada em nosso país, com as correntes intelectuais e políticas que advogam o compromisso com as estratégias políticas derivadas da leitura da obra de Marx e seus continuadores.
Introdução: Marx e os problemas educacionais do seu tempo
Um pensador como Marx, que tinha umaconcepção de conjunto sobre a história humana e sobre o modo de produção capitalista, não pode ser dissociado do militante político que tinha como incumbência a formulação de propostas viáveis para os problemas do momento e que comporiam, por exemplo, as bandeiras de luta da Associação Internacional dos Trabalhadores, do qual foi um dos fundadores e militantes mais destacados. Ao discutirmos osposicionamentos políticos e as propostas de Marx a respeito das medidas educacionais adequadas à sua época, temos que levar em consideração, portanto, que o autor estava preocupado com os problemas mais imediatos, e que exigiam que fossem colocados em prática alguns “indispensáveis antídotos contra as tendências de um sistema social que degrada o operário a mero instrumento para a cumulação de capital, eque transforma pais, devida às suas necessidades, em proprietários de escravos, vendedores dos seus próprios filhos” (MARX e ENGELS, 1983: 83).
As propostas educacionais de Marx evidenciam as nuanças de um pensamento que mantinha como horizonte a transformação revolucionária da sociedade, sem, contudo, abster-se diante dos desafios colocados pela prática política e pelas particularidades daconjuntura política em questão. Como consta já no Manifesto do Partido Comunista, de 1848, redigido em parceira com Engels, Marx defendia a implementação de uma “educação pública gratuita de todas as crianças”. Com a eliminação do trabalho infantil, na forma como este era então explorado pelos empresários capitalistas, e a proposição de uma modalidade combinada de educação, voltada para a formação detodas as dimensões humanas, incluindo a atividade produtiva, a sensibilidade artística, a formação científica e o cultivo do corpo. Num documento redigido por Marx com o objetivo de orientar os delegados do Conselho Central Provisório que participariam do I Congresso da Associação Internacional do Trabalhadores, que se realizou em Genebra de 3 a 8 de setembro de 1866, fica claro como o autordefendia a intervenção dos trabalhadores nos debates sobre a legislação educacional, pois, no seu entendimento esta era a maneira mais eficiente de fazer com que o Estado impusesse leis que limitassem a ganância dos empresários capitalistas, pois
“...impondo tais leis, a classe operária não fortifica o poder governamental. Pelo contrário, ela transforma esse poder, agora usado contra ela, em seupróprio agente. Eles efetuam por uma medida geral aquilo que em vão tentariam atingir por uma multidão de esforços individuais isolados” (MARX e ENGELS, 1983: 83).
II – Engels contra o reducionismo economicista
Alguns estudiosos marxistas tiraram conclusões apressadas sobre a relação entre a estrutura econômica da sociedade, considerada pelo próprio Marx como a base real que sustenta as...
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