Memorial do convento

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Memorial
As Transgressões na obra
Transgressão do código religioso
* Sumptuosidade do convento (pp.365-6) vs a simplicidade e a humildade (essência dos valores cristãos);
* Recrutamento à força;
* Construção da passarola vs a proibição de ascender a um plano superior/divino (p. 198) - 4 bases de solidez do projecto: Bartolomeu, Baltasar, Blimunda e Scarlatti;
* A castidade vs asrelações sexuais nos conventos (pp. 95,97);
* As estátuas dos santos (p. 344) vs a santidade humana (p. 342);
* Missa, espaço de vivência espiritual (p. 145) vs missa, espaço de namoros e de encontros clandestinos (pp. 43, 162, 236);
* A benção de Deus vs a benção dos homens;
* Funeral do Infante D. Pedro, espectáculo de pompa e circunstância vs funeral do sobrinho de Baltasar,manifestação isolada de dor.
Transgressão do código sexual
* Sexo ritual protocolar para procriação (pp. 11-13, 319-20) vs sexo, entrega permanente e mútua de corpos e almas (p. 77 e outras).
Transgressão linguística
* Inversão de expressões bíblicas;
* Jogos de palavras "os santos no oratório... não há melhor";
* Desconstrução e reconstrução das regras de pontuação;
*Aforismos "Não está o homem livre... com a verdade";
* Confluência de registos de língua:
* Popular "Queres tu dizer na tua que a merda é dinheiro, Não, majestade, é o dinheiro que é merda";
* Familiar "correram o reino de ponta a ponta e não os apanharam";
* Cuidado "Tirando as expressões enfáticas esta mesma ordem já fora dada antes (...)".
Transgressão ficcional
* AMúsica vence a Doença;
* A história vence a História;
* O espaço da ficção é o espaço da Utopia, da Liberdade Suprema;
* O Sonho é a Transcendência Humana.
Espaço
Evocação de dois espaços principais determinantes no desenrolar da acção: Mafra e Lisboa.
Mafra: passa da vila velha e do antigo castelo nas proximidades da Igreja de Santo André para a vila nova em cujas imediações se vaiconstruir o convento. A vila nova cria-se justamente por causa da construção do convento.
Lisboa: descrevem-se vários espaços dos quais se destacam o Terreiro do Paço, o Rossio e S. Sebastião da Pedreira.
Portugal beneficiava da riqueza proveniente do ouro do Brasil. D. João V em decreto de 26 de Novembro de 1711 autorizou que se fundasse, na vila de Mafra, um convento dedicado a Santo António epertencente à Província dos Capuchos Arrábidos.
Ludwig, arquitecto alemão, estava em Lisboa, em 1700, contratado como decorador-ourives, pelos Jesuítas. Foi a ele que entregaram o projecto do Mosteiro, destinado a albergar 300 frades. A traça do edifício terá sido executada por volta de 1714-1715 ao passo que a igreja, avançada ate ao zimbório, foi sagrada em 1730. Outras dependências foramconstruídas para além da igreja: portaria, refeitório, enfermaria, cozinha, claustros, biblioteca.
Terreiro do Paço: local onde primeiramente trabalha Baltasar na sua chegada a Lisboa, descrição pormenorizada e sugestiva da procissão do Corpo de Deus, em Junho. É um espaço fulgurante de vida, com grande importância no contexto da sociedade lisboeta da época.
Rossio: surge no início da obra, relacionadocom o auto-de-fé que aí se realiza. A reconstituição do auto-de-fé é fidedigna, a cerimónia tinha por base as sentenças proferidas pelo Tribunal do Santo Ofício e nela figuravam não só reconciliados, mas também relaxados, aqueles que eram entregues à justiça secular para a execução da pena de morte. O dia da publicação do auto era festivo, segundo se pode constatar das defesas efectuadas. Aprocissão propriamente dita saía na manhã de domingo da sede do Santo Ofício e percorria a cidade de Lisboa antes de chegar ao local da leitura das sentenças, numa das praças centrais. À frente seguiam os frades de S. Domingos com o pendão da Inquisição. Atrás destes os penitentes por ordem de gravidade das culpas, cada um ladeado por dois guardas. Depois, os condenados à morte, acompanhados por...
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