Marx werbe

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  • Publicado : 23 de maio de 2012
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O horizonte empírico ao qual se refere a obra de Max Weber, e no qual desenvolve suas indagações teórico-metodológicas, favoreceu de modo particular diferentes reapropriações de seu pensamento. Nesse sentido, os trabalhos de Weber ofereceram, neste século, contribuições inestimáveis a diversas especializações sociológicas, além de constituírem uma inspiração permanente para reflexões teóricas comdiferentes orientações de reconhecida relevância1. Daí que nós, leitores dos estudos de Weber, dispomos de uma gama considerável de intérpretes e mediadores. Se, por um lado, isto se configura como um elemento revitalizador da própria obra de Weber, por outro, requer do leitor-investigador cuidado e perspicácia na exploração desse autor, principalmente quando se trata de alguém oriundo de umatradição das ciências sociais que — como a antropologia — não se constituiu elegendo Weber como um de seus fundadores. Ciente dessa inserção, procuro explorar a compreensão weberiana da política sob a inspiração permanente, embora nem sempre explícita, do material etnográfico proveniente de pesquisas por mim realizadas no Congresso Nacional. Desta perspectiva, vou ao encontro do espírito weberianoque vislumbrou nos estudos da cultura um potencial peculiar à investigação das existências humanas: sua intrínseca parcialidade e conceituação contextualizada. Assim, expressando-me em termos weberianos, o que apresento é uma reflexão acerca de alguns ângulos do significado da ação política iluminada pelos desafios de nossa "individualidade histórica".
As investigações no Congresso Nacionalconsistem em um estudo sobre as concepções de decoro parlamentar no universo político brasileiro, em especial no contexto da Câmara dos Deputados, onde analisei diferentes casos legislativos de perda de mandato entre 1949 e 19942. O decoro parlamentar é uma figura jurídica presente na Constituição brasileira e nos regimentos internos da Câmara e do Senado, que permite penalizar os parlamentares que ainfringirem, em uma gradação de punições que vai desde a advertência verbal até a perda do mandato. A atualização do dispositivo constitucional do decoro em sua singularidade concreta, ou seja, a observação do decoro parlamentar em ação, revelou-o particularmente útil para pensar relações e valores essenciais do mundo político brasileiro. E o mais importante aqui: trouxe à reflexão teórica critériosde relevância empírica que permitiram recolocar a discussão weberiana da vocação dos políticos e da política tendo a honra como seu valor distintivo, em detrimento de sua definição mediante padrões de interesse de classe ou status. A conceituação e o julgamento por quebra de decoro parlamentar não se limitam a tipificar atos impróprios ao exercício do mandato, mas prescrevem uma avaliação docomportamento do parlamentar segundo critérios de "dignidade" e "honra" definidos por seus pares; não normatizam o desempenho de um papel social específico (o de representante político), mas pretendem abarcar a totalidade da conduta do sujeito em questão, esteja ele ou não no exercício de suas funções políticas. Desse modo, a honra, enquanto hierarquia de valores particularistas e contextualizados, éapresentada nos casos de quebra de decoro como o critério central acionado no juízo de valor da conduta política: é o discurso que articula e legitima a precedência e a singularidade do pertencimento político sobre as demais inserções sociais.
Caberia aqui destacar uma reflexão de Wolfgang Schluchter em Paradoxes of Modernity, que adquiriu relevância singular no diálogo entre teoria e dadosetnográficos, cujas linhas gerais traço neste artigo:
"The conceptual distinction in connection with politics is not useful versus harmful, nor is it true versus false or beautiful versus ugly, nor is it even good versus evil; it is honorable versus disgraceful. Failure to satisfy a political duty does not provoke feelings of discontent or guilt as much as it does those of shame" (Schluchter...
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