Luize

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  • Publicado : 28 de fevereiro de 2012
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A década de 30 é divisora de águas no Brasil. Podemos assistir claramente durante o período, a remodelação da economia frente às mudanças econômicas mundo afora. É o início da consolidação de uma frente econômica baseada na indústria, que traz consigo a ascenção de um novo grupo social que viria determinar, futuramente, os rumos econômicos de nosso país. Entender, entretanto, a conjuntura queenvolve uma mudança tão significativa não é simples e nem poderia ser, pois deve-se associar a esta mudança, uma desconjuntura gradual das forças políticas e o embate historiográfico que tenta compreender e discutir, quais elites ou grupos sociais realmente conseguem exercer algum tipo de influência no Estado. | Boris Fausto |
Sob este aspecto, o livro de Boris Fausto traz uma nova vertente para acompreensão do período, pois promove uma revisão dos conceitos e uma nova análise dos fatos que se sucederam anteriormente à Revolução de 30 e consequentemente o desenvolver da mesma.
Uma Nova Análise
Até meados da década de 70, o modelo historiográfico de compreensão da Revolução de 30 (através da análise da República Velha) baseava-se na tese de um embate de forças entre a AristocraciaCafeeira, o setor representante das heranças de um sistema agrário feudal, e a nova Elite Industrial. Esta, representante do capitalismo imperialista que começava a vigorar após a Primeira Guerra Mundial, possuia sua maior representação no estado de São Paulo. Boris Fausto promove uma revisão de tais modelos, procurando demonstrar que a Historiografia brasileira defendia até a década de 70 uma visãoparcial e certamente deturpada dos fatos. Em seu livro, o autor demonstra que a dualidade Latifúndio-burguesia não corresponde exatamente a uma oposição fundamental: assim, o que assistimos é um rearranjo da política nacional sem o privilégio significativo desta ou de outra classe, que pudesse tomar para si o rumo político e econômico do país e comprometesse a influência das demais.
 A partir desseargumento, Fausto também defende que a influência das elites industriais paulistanas era restrita à época, pois estas não possuíam tamanha força e coesão capaz de promover um arranjo revolucionário que visasse desbancar a elite agrária. Muito pelo contrário.
Analisemos o que o autor diz a respeito das indústrias na década de 20: " a indústria se caracteriza nesta época, pela dependência dosetor agrário exportador, pela insignificância dos ramos básicos, pela baixa capitalização, pelo grau incipiente de concentração." Fausto cita ainda, que a agricultura exportadora era de muita expressão na economia brasileira anteriormente à Revolução bem como depois. Mesmo no começo da década de 40 o setor primário de produção era a base de sobrevivência de 65,1% da população. " Do ponto de vista daestrutura social, se abandonarmos a imensa maioria de pequenos empresários, cujas atividades se assemelhavam muitas vezes às de um simples artesão, o setor que pode ser definido como burguês industrial, constituía uma faixa restrita do ponto de vista numérico mas significativo, capaz de expressar na esfera política, seus interesses específicos, junto aos centros de decisão. Entretanto, seuslimites se revelam no alcance das reivindicações: se executarmos as propostas de Serzedelo Correia e Amaro Cavalcanti, que aliás, não podem ser considerados representantes políticos da burguesia industrial, esta não oferece qualquer programa industrialista, como alternativa a um sistema cujo eixo é constituído pelos interesses cafeeiros." |
Postais das cidades de São Paulo
e Rio de Janeiroanteriores a
década de 40 |
E os militares? Ao longo dos anos 20, formou-se uma corrente de caráter mais progressista no Exército brasileiro, formada por jovens oficiais que visavam, num desejo nacionalista, resgatar o país da República Velha e das estruturas oligárquicas. À importância desse movimento, chamado "Tenentismo" , Fausto dará sua contribuição, afirmando que para cumprir seu objetivo tentou...
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