Lean em uma empresa agricola

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Avaliação qualitativa da implantação de práticas da produção enxuta:
estudo de caso em uma fábrica de máquinas agrícolas

Tarcisio Abreu Saurin
Cléber Fabrício Ferreira

Resumo
Embora a maturidade de um sistema de produção enxuta (PE) esteja associada
principalmente à absorção dos princípios enxutos pela cultura organizacional, a
avaliação de práticas operacionais associadas à PE forneceindícios acerca da
implantação desse sistema. Este artigo apresenta uma avaliação qualitativa da implantação de práticas da PE em uma fábrica de máquinas agrícolas, a qual desde
2001 vem adotando a PE como filosofia de produção. A avaliação foi realizada na
linha de montagem de colheitadeiras, usando quatro fontes de evidências: observação direta; entrevistas com 15 gerentes e supervisores;entrevistas com 30 operadores; análise de documentos relativos ao sistema de PE. Essas evidências permitiram
o preenchimento de uma lista de verificação com 88 itens distribuídos ao longo de
12 típicas práticas da PE. Apesar das limitações da abordagem qualitativa utilizada (por exemplo, subjetividade na atribuição de níveis de desempenho a cada prática), foi possível identificar pontos fortes efracos do sistema existente na empresa.
Além disso, o estudo de caso também indicou diretrizes para o aperfeiçoamento dos
métodos existentes de avaliação de implantação da PE.
Palavras-chave: Produção enxuta. Medição de desempenho. Avaliação qualitativa. Indústria automotiva.

1 Introdução
A produção enxuta (PE) foi definida por Womack,
Jones e Roos (1992) como um novo sistema de organizaçãoindustrial, inspirado no Sistema Toyota de
Produção (STP), que tem como meta a eliminação de
qualquer perda do sistema de produção, possibilitando
produtos e serviços de alta qualidade, ao menor custo
possível e atendendo da melhor forma às necessidades
dos clientes.
Em parte devido ao fato de que a PE teve origem empírica a partir da experiência da indústria, ainda hoje não
existeconsenso na literatura a respeito de quais são seus
princípios e práticas fundamentais. Isso pode também
ser explicado pela constante evolução desse sistema,
bem como pela disseminação da PE em diversos ramos
da indústria e serviços, o que por vezes têm gerado dificuldades de adaptação de conceitos. Embora diversos
trabalhos venham sendo realizados com o objetivo de
construir uma estrutura teóricarobusta que explique e
relacione de modo coerente os elementos da PE (LIKER,
2004; KOSKELA, 2000; WOMACK; JONES, 1998), a
terminologia a respeito do tema também não é consensual.
Enquanto autores como Picchi (2001) consideram que a
PE é constituída por sistemas, filosofias e ferramentas,

outros, como Pasa (2004), usam os termos princípios, leis,
métodos e técnicas. Já Godinho Filho eFernandes (2004)
consideram que a PE pode ser estruturada em princípios
e capacitadores. Neste artigo, são adotados os termos
princípios e práticas, para fazer referência a elementos
da PE com diferentes graus de abstração. Os princípios
determinam os alicerces do sistema, são as regras que
o sistema produtivo como um todo deve seguir. Já as
práticas viabilizam a implementação dos princípios.Dentre os princípios da PE, Womack e Jones (1998)
apresentam uma proposta relativamente bem conhecida
no meio acadêmico e profissional: criar valor, gerenciar
a cadeia de valor, trabalhar em fluxo, puxar a produção
e buscar a perfeição. Já Liker (2004) apresenta 14 princípios, tais como tomar decisões por consenso, usar
controles visuais e planejar com visão de longo prazo,
mesmo sob pena deprejuízos financeiros no curto prazo.
Em relação às práticas, diversas são típicas da PE e têm
sido objeto de estudos no Brasil e no exterior, tais como a
troca rápida de ferramentas, manutenção produtiva total
e produção puxada.
Os princípios e práticas da PE não devem ficar restritos
ao sistema de manufatura, sendo essencial que sejam
Gest. Prod., São Carlos, v. 15, n. 3, p. 449-462,...
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