Khora e Arcke

5662 palavras 23 páginas
KHÔRA E ARKHÊ
Moysés Pinto Neto1

RESUMO: Nesse trabalho procuro apresentar uma leitura metafísica da obra de
Jacques Derrida, amplificando suas conclusões para um nível especulativo que ultrapassa a dimensão transcendental, contrapondo a ideia de que se trata se uma filosofia unicamente crítica – isto é, desconstrutiva – para que, sem prejuízo dessa dimensão fundamental, apareça também seu teor positivo, viabilizando um novo diálogo com as ciências. Assim, busco apresentar como Derrida – a partir do privilégio da arkhê como ponto fundamental da metafísica clássica – reconstrói seus fundamentos a partir da différance, recuando aquém das tradicionais oposições metafísicas. 1. Derrida e a Metafísica

As interpretações do pensamento de Jacques Derrida geralmente têm primado pela ênfase na desconstrução da tradição metafísica ocidental. De fato, o trabalho de dessedimentação de axiomas clássicos a partir da ruptura com a metafísica da presença, bem como a desocultação do caráter performativamente violento das oposições nas quais um dos termos é subordinado parece fundamental e ainda longe de ter sido esgotado em toda sua potencialidade. Gostaria de explorar, contudo, outro rumo que a meu ver amplifica as dimensões do pensamento de Derrida, ainda que isso signifique admitir passos que a maioria dos seus intérpretes – talvez guiados por um prudente e respeitável escrúpulo exegético (considerando que as teses de Derrida foram levadas ao absurdo tanto por parte dos seus oponentes quanto por parte dos seus adeptos) – possivelmente veriam com algumas ressalvas. Se, contudo, o próprio filósofo diz ser necessária uma permanente apropriação crítica daquilo que herdamos, é possível pensar igualmente que a mera repetição e explicitação das conclusões e teses que Derrida suscita parece estar aquém da tarefa que o filósofo legou na reconstrução da filosofia, se é de fato procedente pensar na necessidade dessa reconstrução. Dessa forma, receber a

Relacionados