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  • Publicado : 14 de fevereiro de 2013
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Políticas eugenistas de inspiração nazista foram perpetradas no Brasil no período anterior à Segunda Guerra Mundial. A afirmação é do historiador Sidney Aguilar Filho, que defendeu recentemente tese de doutorado na Faculdade de Educação (FE) da Unicamp com o tema “Educação, Autoritarismo e Eugenia: Exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-45)”. No trabalho,orientado pela professora Ediógenes Aragão Santos, o autor recupera a história de 50 meninos órfãos ou abandonados – a maioria negra e com idades variando de nove a 11 anos –, que foram transferidos de um educandário do Rio de Janeiro para uma fazenda no interior de São Paulo, onde foram submetidos, sob os auspícios da legislação da época, a trabalhos forçados, castigos físicos e humilhações. O estudoestá dando origem a um documentário, tem proposta para ser transformado em livro e foi indicado pela FE para representar a unidade no Prêmio Capes de Teses.
O tema do estudo, conta Aguilar, caiu repentinamente no seu colo. Ele dava uma aula sobre a Segunda Guerra para uma turma do ensino médio, quando uma de suas alunas afirmou que a suástica, o símbolo utilizado pelo nazismo, estava inscrito emtijolos de casarios demolidos na fazenda do pai dela, situada na cidade de Campina do Monte Alegre (SP). “Aquela informação ficou adormecida por anos. Cheguei a repassá-la para alguns centros de pesquisa, mas ninguém se interessou. Quando finalmente comecei a investigar o assunto, percebi que as dimensões eram infinitamente maiores do que eu imaginava. O que mais me chamou a atenção nem foi tanto asimbologia nazista encontrada na propriedade, mas a coincidência dela com evidências da forte presença integralista no mesmo local”, relata.
Esta justaposição, diz Aguilar, já justificaria um estudo mais aprofundado. Ocorre, porém, que ele deparou com um fato, nas palavras dele, ainda mais chocante. “Descobri que aquela e outras fazendas da região haviam sido utilizadas para abrigar 50 meninosórfãos ou abandonados, que foram retirados, a partir de 1933, do Educandário Romão de Mattos Duarte, mantido pela Irmandade de Misericórdia do Rio de Janeiro. No local, eles eram submetidos a trabalhos forçados, a castigos físicos, a humilhações e a toda sorte de violação de direitos. Todas essas propriedades pertenciam à família Rocha Miranda, uma das mais ricas do Brasil na época, que era dona debancos, empresas de transportes e hotéis de luxo”, afirma.

Filantropia
Um aspecto que chamou a atenção do autor da tese foi o fato de a transferência das crianças ter sido feita com a concordância da Igreja, o patrocínio da elite empresarial e a anuência da Justiça, tudo sob a justificativa de que a medida teria caráter educativo e filantrópico. Ao consultar documentos da época do EducandárioRomão de Mattos Duarte, da Irmandade de Misericórdia, do Ministério da Agricultura e do Arquivo Público do Estado de São Paulo, o pesquisador constatou que a remoção dos meninos – 48 negros e pardos e somente dois brancos – foi autorizada pelo titular do Juizado de Menores do Rio de Janeiro, José Cândido de Albuquerque Mello Mattos, que concebeu o primeiro Código do Menor do país.
Segundo oautor da tese, os membros da família Rocha Miranda participavam da cúpula da Ação Integralista Brasileira (AIB), grupo de ultradireita com inspirações fascistas, cujo nome de maior destaque foi Plínio Salgado. “Um dos membros dessa família, Renato Rocha Miranda, presidia uma grande empresa de carvão de Santa Catarina. Através de fontes documentais, eu consegui recuperar dados sobre negócios que elemanteve, tanto antes quanto depois da Segunda Guerra, com a família Krupp, dona de uma poderosa siderúrgica alemã produtora de armas e equipamentos bélicos. Nunca é demais lembrar que um dos membros do clã alemão foi Alfried Krupp, ministro da Economia de Guerra de Adolf Hitler, condenado pelo Tribunal de Nuremberg pelo uso de trabalho escravo de judeu”, assinala Aguilar.

Após o conflito...
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