Homoerotismo

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  • Publicado : 21 de fevereiro de 2013
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A questão homoerótica tem se mostrado cada vez mais complexa. É possível concordar com Jurandir que diz que o conceito de homossexualidade enquanto um perfil de personalidade é uma construção recente, do século XVIII.
A relação entre pessoas do mesmo sexo biológico pode ser constatada em toda a história e em todas as culturas. Na Grécia antiga, a pederastia era uma parte da educação dosmeninos. Era admissível que houvesse coito entre o mestre e o discípulo. Porém, era um relacionamento seguido de regras: não podia ter demonstração de afetividade em público, só um era o passivo, não podia ocorrer como troca de favores, etc. Também entre as mulheres, embora muito mais difícil de se comprovar por meio da História, há grandes possibilidades de que o relacionamento entre acontecesse comaceitação nas sociedades de mulheres guerreiras, como as Amazonas. A realidade sociohistórica da homossexualidade se diferencia para o homem e a mulher. A mulher foi desprezada pela História junto com o desprezo que viveu na sociedade ocidental. Aquelas que, de alguma forma se projetaram, têm seu nome ocultado, sua história tratada como lenda ou seu feito atribuído a um homem. Sendo tão‘desinteressante’ enquanto mulher, muito mais o é como homoerótica. Assim, temos, por exemplo, a figura de uma grande líder e poetisa, chamada Safo. Seus poemas de amor ardente por suas amantes foram queimados e destruídos restando apenas fragmentos e menção a sua figura em alguns escritos de pensadores gregos como Platão e Aristóteles.
O termo homossexualidade foi cunhado pela literatura médica oitocentista.Em Esquirol e Pinel, os atos perversos eram atributos de uma pessoa com distúrbios variados. Assim, era próprio dos perversos, se inclinarem sexualmente para seus iguais. Não se estudava a perversão sexual especificamente, porque era vista como um sintoma, portanto um adjetivo.
O modelo ideal de desenvolvimento da sociedade burguesa era o homem, hetero, branco, rico, europeu. Ou seja, a mulher,o pobre, o estrangeiro eram vistos como menos evoluídos. Das especulações científicas do século XVIII que fortaleceram essa visão foi o conceito de instinto. Este conceito, influenciado pela visão evolucionista efervescente, era tido como o impulso que conduzia o ser humano para o desenvolvimento maduro. Num primeiro momento proporcionava a sobrevivência do individuo, depois a preservação daespécie e por fim a manutenção da sociedade. Quando essa constituição era afetada, então tinha-se uma patologia do instinto vista como atraso de desenvolvimento. Assim, uma pessoa que gostasse de outra do mesmo sexo era alguém atrasado no desenvolvimento instintivo. Passou-se também a postular a distinção entre os gênero feminino e masculino, discriminando-se como conceito científico traçospsicológicos, emocionais e instintivo entre mulher e homem. Traços como sensibilidade, delicadeza, fragilidade, sutileza, falta de inteligência, desejo de maternidade era próprio de toda mulher, era natural. Essa distinção de personalidade, cria um problema. Quem são aqueles que não se encaixam nessas definições? Surge então o conceito do invertido. Enfatizado na figura masculina, era o homem com alma demulher. O que era visto como uma prática, um adjetivo, passa a ser um substantivo. Não era mais apenas alguém com inclinações sexuais invertidas, mas alguém invertido psicologicamente e sentimentalmente. Como o inaceitável era a postura sexual, esse ser passa a ser classificado por essa conduta: o homossexual. A divisão passa a ser o normal e o patológico desconsiderando totalmente o quesimplesmente pode ser variação, presente em toda a natureza observável.
Podem-se ressaltar duas consequências importantes dessa criação linguística do homossexual. A primeira é que como nasce de uma discussão médica como um pressuposto de patologia, ela traz consigo todo um arcabouço produtor de preconceito. A segunda é que ao se criar uma figura vítima de um preconceito violento e castrador,...
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