Historia e diversidade

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Educação e diversidade cultural
uitos antropólogos, historiadores e cientistas sociais, a exemplo
de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Fernando de
Azevedo e, mais recentemente, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro,
Roberto da Matta, Alfredo Bosi e Renato Ortiz, já se preocuparam
em definir e compreender a cultura brasileira em suas múltiplas dimensões.
Todos, a par de suasdiferentes posições político-ideológicas, são unânimes
em concordar que a característica marcante de nossa cultura é a riqueza
de sua diversidade, resultado de nosso processo histórico-social e das
dimensões continentais de nossa territorialidade.
Nesse sentido, o mais correto seria falarmos em “culturas brasileiras”,
ao invés de “cultura brasileira”, dada a pluralidade étnica que contribuiu
parasua formação. As palavras do antropólogo Darcy Ribeiro são bastante
elucidativas:
Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor
português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns
e outros aliciados como escravos.
(...) A sociedade e a cultura brasileiras são conformadas como variantes da
versão lusitana da tradição civilizatória européia ocidental,diferenciadas
por coloridos herdados dos índios americanos. (Ribeiro, 1995)
Apesar da influência marcante da cultura de matriz européia por
força da colonização ibérica em nosso país, a cultura tida como dominante
não conseguiu, de todo, apagar as culturas indígena e africana. Muito pelo
contrário, o colonizador europeu deixou-se influenciar pela riqueza da
pluralidade cultural de índios enegros. No entanto, o modelo de organização
implantado pelos portugueses também se fez presente no campo da
educação e da cultura.
Apesar desse fato incontestável de que somos, em virtude de nossa
formação histórico-social, uma nação multirracial e pluriétnica, de notável
diversidade cultural, a escola brasileira ainda não aprendeu a conviver com
essa realidade e, por conseguinte, não sabetrabalhar com as crianças e jovens
dos estratos sociais mais pobres, constituídos, na sua grande maioria,
de negros e mestiços.
Nesse sentido, uma análise mais acurada da história das instituições
educacionais em nosso país, por meio dos currículos, programas de ensino
380 Cad. Cedes, Campinas, vol. 25, n. 67, p. 378-388, set./dez. 2005
Disponível em
Ensino de história e diversidadecultural: desafios e possibilidades
e livros didáticos mostra uma preponderância da cultura dita “superior e
civilizada”, de matriz européia.
Os livros didáticos, sobretudo os de história, ainda estão permeados
por uma concepção positivista da historiografia brasileira, que primou pelo
relato dos grandes fatos e feitos dos chamados “heróis nacionais”, geralmente
brancos, escamoteando, assim, aparticipação de outros segmentos
sociais no processo histórico do país. Na maioria deles, despreza-se a participação
das minorias étnicas, especialmente índios e negros. Quando aparecem
nos didáticos, seja através de textos ou de ilustrações, índios e negros
são tratados de forma pejorativa, preconceituosa ou estereotipada
(Oriá, 1996).
Apesar da renovação teórico-metodológica da História nosúltimos
anos, o conteúdo programático dessa disciplina na escola fundamental tem
primado por uma visão monocultural e eurocêntrica de nosso passado. Inicia-
se o estudo da chamada “História do Brasil” a partir da chegada dos
portugueses, ignorando-se a presença indígena anterior ao processo de conquista
e colonização. Exalta-se o papel do colonizador português como desbravador
e únicoresponsável pela ocupação de nosso território. Oculta-se,
no entanto, o genocídio e etnocídio praticados contra as populações indígenas
no Brasil: eram cerca de 5 milhões à época do chamado “descobrimento”,
hoje não passam de 350 mil índios.
Os africanos, que aportaram em nosso território na condição de escravos,
são vistos como mercadoria e objeto nas mãos de seus proprietários.
Nega-se ao negro a...
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