Historia da arte

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Passagem secreta

Brígida Baltar

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Passagem secreta Livro da obra de Brígida Baltar Organizado por Marcio Doctors Prêmio Conexão Artes Visuais, Funarte 2010 Editora Circuito Este site apresenta a entrevista e alguns textos do livro.

Marcio Doctors entrevista Brígida Baltar, agosto – setembro de 2010. MD Brígida, quando penso no conjunto de sua obra, me parece que existe ummomento em que há uma ruptura que se tornou o fundamento do que reconhecemos hoje como sendo Brígida Baltar. É muito comum que isso aconteça no processo de vários artistas, só que em geral a passagem me parece mais suave. No seu caso, surpreendo claramente um antes e um depois: entre uma obra que apontava na direção de uma plasticidade gráfica para uma obra que, a partir dos trabalhos relacionados àsua casa, passou a ter uma dimensão de prática plástico/existencial. Fale como se deu essa passagem. BB Marcio, o início das minhas experiências com arte aconteceu cedo, e entre um turbilhão de desejos, inclusive o de transitar por outras áreas. Quando cheguei à Escola de Artes Visuais do Parque Lage, aos 22 anos, eu estava me transferindo da Universidade de Arquitetura para História na UERJ,muito influenciada pelos movimentos estudantis do início da década de 1980, dos quais eu participava. Em paralelo, eu tinha um grupo de estudos e prática em torno de Paulo Freire, que aplicávamos semanalmente em vivência direta com crianças e adolescentes, moradores da favela, no morro da Mangueira (esse grupo era formado por alguns colegas de arquitetura). Além disso, eu tinha um grupo de teatro,quis ser atriz e lembro de sair batendo bumbo pelo Largo do Machado, chamando os transeuntes para ver a peça em cartaz (Cor de chuva), nossa criação coletiva no Cacilda Becker. E quis ter aulas de desenho. Quando entrei no Parque Lage, eu desenhava (muito com lápis), e entre outras coisas, lembro de fazer uns personagens meio fantásticos, talvez relacionados a essa veia teatral. Lá encontrei umaprécena da exposição “Como vai você, Geração 80?”, e os estímulos eram para quanto mais gesto e cor melhor. Eu sofri bastante, tentando me identificar nesse caminho, "soltar" as formas, ainda usando lápis de cor, mas os desenhos eram de uma sutileza fora de lugar. Eu ia tentando exaustivamente chegar àquela gestualidade toda – como se fosse uma direção certa e única a se seguir – e até hoje na casa dosmeus pais tem nas paredes essas tentativas de desenhos mais vigorosos (um pouco contra minha vontade). Em 1983, conheci o Ricardo Basbaum na aula da Astréa El-Jaick. Ela nos propunha uns exercícios divertidos. Lembro tão bem de um que Basbaum realizou com caixas de papelão e fitas azuis. Tinha um movimento mecânico, uma manivela e as fitas muito longas entravam e saíam das caixas. Era lindo. OBasbaum também produziu desenhos e pinturas, ao mesmo tempo que fez performances com o Alexandre Dacosta na Dupla especializada; e com o Barrão no grupo Seis mãos. E teve também o grupo A Moreninha, do qual você fez parte juntamente com outros artistas. E tudo isso parecia produzir uma nova atitude em relação à arte, e especialmente em relação à pintura gestual desta época. Logo depois, ainda em 1983,o Basbaum organizou uma exposição de faixas na Praça Seca, em Jacarepaguá, e eu participei com minha faixa hipercolorida. Neste momento eu estava grávida do Tiago, não queria mais um monte de coisas – não seria atriz, não comprava mais jornais ligados aos movimentos políticos e já não podia nem mais sentir o cheiro de tinta a óleo ou acrílica (enjoei mesmo, enjoo de gravidez). Era um processo deeliminação, de escolhas. Então, eu vi a grande exposição “Como vai você, Geração 80?” acontecer, mas não fui parte dela. E isso me confundia também, eu ainda não tinha um lugar. Desculpe, eu não consigo resumir esse início. A impressão que dá é que cada verão era uma eternidade de acontecimentos. O fato é que, no meio de tudo, eu ainda precisava me sentir independente, economicamente falando, e...
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