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  • Publicado : 25 de março de 2013
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A MODIFICAÇÃO CORPORAL

O ser humano no decorrer de sua história interfere em seu corpo de diversas maneiras e acompanhado intrinsecamente de múltiplas justificativas. Seja como rito de passagem, como forma de expressar sua religião, penitência para purificação da alma, punição, privação, como forma de se expressar artisticamente ou por motivos puramente estéticos. Na história humana, o corposempre sofreu alguma espécie de manipulação.

Partindo do pressuposto de que toda cultura é construída, podemos dizer que o corpo assim também o é, e dentro dessa perspectiva, ele é uma construção que varia de acordo com o tempo e espaço em que está inserido. O respectivo trabalho de pesquisa busca compreender historicamente a “construção” do corpo através das modificações corporais – tatuagem,piercing, escarificação, implante, dentre outras técnicas – na sociedade brasileira. Focando as décadas de 80 e 90, principalmente na cidade de São Paulo, que serviu como berço para o desenvolvimento, consolidação e propagação de tais práticas. Este trabalho tem como objetivo entender como e quando a tatuagem, o piercing, a escarificação, dentre outras manipulações do corpo, “retornam” à nossasociedade e o impacto causado por elas.
Para realização da pesquisa utilizamos como base, análises bibliográficas da arte, corpo e sociedade, enriquecida, então, com entrevistas de profissionais e entusiastas das práticas das modificações corporais. Além das entrevistas, o trabalho contará com o uso de imagens que serão coletadas durante a pesquisa. As imagens terão a finalidade de ilustrar técnicasde modificações corporais possibilitando uma maior aproximação entre o leitor e o tema pesquisado. Vale pontuar que as entrevistas foram de suma importância, justamente pela falta de produção bibliográfica nacional e de documentação específica acerca da temática.
Obtivemos alguns dados e resultados bastante interessantes, como exemplo, o contato com a rápida proliferação cultural – ainda queinicialmente dentro de nichos – da modificação do corpo em fins do século XX e uma assimilação em massa de algumas práticas no início do século XXI, como a tatuagem e o piercing por exemplo.
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Concluindo, corpos que antes habitavam o espaço das sociedades tradicionais ou o mundo da ficção científica, sem nos esquecermos do universo onírico, hojecoexistem com a grande massa populacional. Chifres, escamas, línguas bipartidas, aço e ossos e todo esse quimerismo possibilitado por essas práticas é o que constitui os sujeitos que compõem o tema aqui pesquisado e são eles que estão em plena atividade endossando a construção dessa história no Brasil.
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Em 1632, enquanto numa próspera cidade deAmsterdan nascia o filósofo Espinosa, um jovem de 23 anos, chamado Rembrandt, pintava aquele que seria o quadro que daria início à sua carreira – A lição de anatomia do Doutor Tulp – famoso médico e cientista da época, por ocasião de uma palestra por ele proferida. O quadro representa um dos mais famosos acontecimentos da medicina: a dissecação anatômica de um cadáver, evento que não só atraia acuriosidade do grande público, como também dizia muito do saber médico. A interioridade do sujeito, seus segredos, sua intimidade e sua suposta verdade, ainda não estavam referidas à sua dimensão psicológica, pelo contrário, ela estava eminentemente centrada na materialidade e visceralidade da interioridade do corpo, fazendo com que o período compreendido entre os séculos XVI e XVII fosse chamado de “oséculo visceral".
Era um período marcado pelas grandes aulas “teatrais” de dissecação anatômica do corpo. Sua interioridade não estava comprometida com uma dimensão mentalista ou psicológica, pelo contrário, a interioridade do sujeito dizia respeito à produção do saber interpelado por um “corpo cadáver”, cuja morte aos poucos foi sendo introduzida no pensamento médico, denominando aquilo que...
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