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Introdução

Antes do surgimento da Lingüística como ciência, os estudos da língua passaram por três fases sucessivas e distintas: a Gramática, que visava unicamente a formular regras para definir o que é certo e o que é errado; a Filologia, que se preocupou em comparar textos de épocas diferentes para determinar as peculiaridades de cada autor, antecedendo a Lingüística Histórica; e a GramáticaComparada, que, ao justapor línguas diferentes, como o sânscrito, o grego e o latim, concluiu que todas pertenciam à mesma família, sendo possível, por exemplo, explicar as formas de uma língua pelas formas de outra.
Essa última fase, a da Gramática Comparada, desenvolvida por Franz Bopp, descobriu aspectos importantes para o desenvolvimento dos estudos das línguas, como por exemplo, a existênciade uma relação entre os paradigmas gregos e latinos. Ele percebeu, também, que o paradigma sânscrito deixa clara a noção de radical, elemento determinável e fixo numa série de palavras da mesma família. Assim, o sânscrito ajudou muito as pesquisas lingüísticas, pois acabou esclarecendo outras línguas.
Desde o início dos estudos lingüísticos, surgiram muitos lingüistas importantes como JacobGrimm, Pott, Kuhn, Aufrecht, Max Müller, Curtius e Schleicher. Alguns deles se aprofundaram nos estudos comparativos, conciliando a Gramática Comparativa com a Filologia, fases que, como vimos, antecederam a Lingüística, fazendo surgir, assim, a escola comparatista. Porém, tal escola nunca se preocupou em determinar a natureza das línguas. Sem essa preocupação, ela não se constituiu em uma ciência, jáque não estabeleceu métodos. Nota-se que a condição básica para o surgimento de uma ciência é o estabelecimento de métodos. Essa escola foi exclusivamente comparativa, em vez de histórica. Além disso, ela nunca se questiona os motivos de fazer tais comparações, portanto, dela nada se pode concluir.
Esses estudos comparativos acabaram por não corresponder à realidade e ser estranhos às condiçõesda linguagem, por isso foram considerados excêntricos e errôneos. Porém, esses erros acabaram sendo importantes, pois originaram as pesquisas científicas e os estudos de Lingüística propriamente ditos. Isso está bem claro: os erros de uma teoria levam ao surgimento de outras. A comparação é apenas um método.
Assim, tem início a Lingüística como uma ciência da linguagem. Ela nasceu do estudo daslínguas românicas e das germânicas. Esse estudo aproximou a ciência de seu objeto de estudo, ou seja, a Lingüística da linguagem. As pesquisas lingüísticas se tornaram concretas, já que contaram com a ajuda de numerosos documentos que perduraram durante séculos. Tais documentos permitiam acompanhar a evolução dos idiomas, em especial do latim, protótipo das línguas românicas; e do germânico,protótipo das línguas indo-européias.
Logo após, formou-se uma nova escola, a dos neogramáticos, fundada por alemães. Essa escola consistiu em colocar numa perspectiva histórica todos os resultados do método comparativo. Graças a esses estudos, não se considerou mais a língua como um organismo autônomo, mas sim como um produto coletivo de grupos lingüísticos. Esse fato acabou se transformando em algo degrande importância para o campo da Lingüística Geral, embora esta ainda tenha algumas questões a serem esclarecidas. Sem dúvida, esse campo é por demais abrangentes, o que impede de se encerrarem ou de se concluírem seus estudos.

1. OBJETO DA LINGÜÍSTICA

1.1 A língua: sua definição
Não é fácil definir a língua enquanto objeto de estudo da Lingüística. Ao contrário do que muitos pensam, alíngua não é meramente um objeto concreto. Ela é dotada de uma abstração que contribui para a dificuldade de defini-la. Por exemplo, se tomarmos uma determinada palavra, veremos que ela não é apenas um objeto lingüístico concreto. É muito mais do que isso. É um som, um conjunto de sentidos e uma história. Não é um objeto que cria o ponto de vista, mas o ponto de vista que cria o objeto. Se...
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