Freud

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Conversão
Definição
O termo conversão foi introduzido por Freud para designar o mecanismo de defesa através do qual um conteúdo mental é transformado, convertido, em fenômenos orgânicos, motores (paralisias, tremores, convulsões, distúrbios da marcha, da deglutição etc.) ou sensitivos (dores, parestesias, anestesias, distúrbios da visão, da audição etc.).
- O sintoma somático é a expressãosimbólica, devidamente disfarçada pelos mecanismos de condensação e de deslocamento de idéias reprimidas.
- Mecanismo característico da histeria por excelência.
-Uma identificação histérica ou mesmo um "contágio histérico".
Histórico
A explicação inicial do mecanismo de conversão foi econômica: a energia libidinal é convertida em inervação somática a partir daquilo que Freud chamou de“complacência somática”: fator constitucional ou adquirido que predisporia determinado órgão ou aparelho a ser utilizado desta forma. Mas, o objeto de maior interesse psicanalítico sempre foi o componente simbólico dos sintomas conversivos.

Afeto e Quantum de Afeto
Segundo Freud, tudo o que investe internamente contra o ego, de forma indesejável, se exprime em dois registros: primeiro no afeto e segundo narepresentação do ocorrido. Na representação, fica gravado o quantum de afeto, que apresenta a qualidade e a quantidade da energia desagradável que está ligada à representação inconsciente. Já o afeto propriamente dito só pode ficar no campo consciente, desaparecendo com o tempo através do trabalho da elaboração do ego. Caso o afeto não seja elaborado pelo ego e o ego não tenha energia pararecalcá-lo no inconsciente, ele provavelmente ficará reprimido no pré-consciente, fazendo o ego lembrar-se constantemente do ocorrido. Caso o ego possua energia para contra-investir e recalcá-lo no inconsciente, a recordação do desagradável (afeto) não será lembrada facilmente.
O afeto é um processo em ato e em movimento que implica: 1) um aumento da tensão psíquica; 2) o percurso desta tensão dentro dopsiquismo; 3) um modo específico de descarga dirigida para o interior do corpo; 4) a percepção desta descarga; e 5) as sensações ligadas a ela segundo a matriz prazer-desprazer. Ou seja, o afeto inclui o que acontece ao indivíduo e o modo como ele percebe e entende o que lhe acontece. A percepção da descarga e as sensações de prazer ou desprazer são imediatamente apreendidas na rede derepresentações que compõe o pré-consciente e o consciente. O afeto é variação corporal e psíquica, bem como a apreensão desta variação pela consciência num movimento reflexivo.
A quantidade de energia e a descarga são elementos do afeto; os outros são as percepções e as sensações que afetam o indivíduo de um modo ou de outro, tenha ele consciência de suas causas ou não. Por exemplo, nos tempos da ab-reação eda catarse, o objetivo do tratamento era justamente fazer o indivíduo referir o quantum de afeto à lembrança do evento traumático. Ou seja, referir o incremento da quantidade de excitação às suas causas e, por aí mesmo, permitir que o indivíduo experimentasse o afeto que a lembrança do trauma gerava em toda a sua intensidade. Então, podemos entender que, se o quantum de afeto designa umaquantidade de energia que se difunde pelas vias mnêmicas, o afeto propriamente dito inclui este quantum sem reduzir-se a ele.

Traumatismo
Numa concepção econômica, o trauma está relacionado a uma ausência
de ab-reação de um afeto que permanece estrangulado, na medida em que há
uma dissociação das idéias correspondentes a ele da consciência. Neste
sentido, o afeto estrangulado é vivenciado comodesprazer que economicamente
compromete a homeostase do aparelho (Freud, 1893a).
A primeira teoria do trauma e da ab-reação pôde assim ser reconhecida
desde os primeiros escritos sobre a histeria, quando Freud desenvolveu a
questão do trauma psíquico, “como um corpo estranho que, muito depois de sua
entrada, deve continuar a ser considerado como um agente que ainda está em
ação” (Freud,...
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