Fisiocracia

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Licenciatura em Economia

Introdução ao Pensamento Económico


Notas Pedagógicas 2012-13



3. A Economia Política Clássica

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Frontispício da Enciclopédia Francesa




José Castro Caldas
Maria de Fátima Ferreiro
A Economia Política Clássica



No final do século XVIII tem início o processo de constituição da Economia, então sob a designação de Economia Política,como domínio do saber autónomo, disciplina académica e actividade profissional. Segundo muitos autores é na Escócia da primeira metade do século XVIII que se devem situar as origens da disciplina. Nessa perspectiva, a obra fundadora da Economia Política teria sido a Riqueza da Nações de Adam Smith, publicada pela primeira vez em 1776. No entanto, outros historiadores, sublinhando a importância dafisiocracia, apontam a França como berço da Economia.

As polémicas acerca da localização geográfica das origens da Economia Política são pouco interessantes. Na realidade, o advento da Economia Política está associado ao movimento de renovação intelectual designado Iluminismo. Uma vez que este movimento se caracteriza precisamente por uma multiplicidade de pólos de actividade à escalaeuropeia, a única referência geográfica que pode fazer sentido é a própria Europa. Além disso, é também difícil estabelecer uma origem temporal. Não obstante a importância das obras dos fisiocratas e de Adam Smith, existem contributos anteriores em que as questões económicas são já abordadas na perspectiva científica característica da modernidade.

Este capítulo tem por objectivo apresentar oselementos fundamentais da Economia Política Clássica. Parte de uma caracterização do espírito do Iluminismo e apresenta de seguida alguns dos contributos precursores ingleses. Aborda, na terceira parte, a fisiocracia, e na quarta, com um pouco mais de detalhe, alguns dos autores e obras que estabeleceram os elementos teóricos fundamentais da Economia Política Clássica, nomeadamente os de Adam Smith,Robert Malthus, David Ricardo, em Inglaterra, e Jean Baptiste Say, em França[1].




1. O Iluminismo



As sementes do Iluminismo foram lançadas na Inglaterra do séc. XVII e estão presentes na visão empirista de Locke assim como na revolução científica desencadeada pelos trabalhos de Bacon e de Newton[2].

As “Luzes” opõem-se às “Trevas” de uma sociedade tradicional, afirmam aexperiência, a razão e uma sociedade liberal, secular e democrática[3]. As palavras Razão, Natureza, Liberdade e Progresso traduzem o espírito das Luzes, um espírito em “efervescência geral”, norteado pela “crítica e por um generalizado optimismo” [4] em que[5]:




• A razão substitui a autoridade da Igreja, dos textos sagrados e da tradição enquanto critério de acção e de juízo;• O mundo físico e a própria sociedade tendem a ser entendidos como manifestações de um sistema de leis passível de ser apreendido pela razão e pela experiência;

• O conhecimento da ordem natural permite a cada indivíduo agir naturalmente, devendo cada um ser livre para procurar e percorrer o caminho que lhe for mais vantajoso[6];

• A liberdade individual não se traduz em“licenciosidade”, já que, enquanto seres racionais, os homens sentem-se solicitados a obedecer à Lei Natural;

• O interesse particular não está separado do interesse comum, podendo mesmo os interesses, particular e comum, convergir naturalmente;

O Soberano, o Estado, deve criar as condições para que a ordem natural se concretize garantindo a defesa da propriedade e da liberdade, realizando obraspúblicas, e, sobretudo, ensinando as leis da ordem natural.






















Excerto 1: “Resposta à Pergunta: Que é o Iluminismo?” (1784)




O Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem (sic). Tal menoridade é por culpa própria se a sua causa...
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