Fichamento

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Referencia: MATALLO JR, Heitor. A problemática do conhecimento. In: Carvalho, Maria Cecília M. (org). Construindo o saber: Metodologia cientifica – fundamentos e técnicas 22ed. Campinas/SP: Papirus, 2010. (p.15-33)

A problemática do conhecimento

“[...] A preocupação com o conhecimento não é nova. Praticamente todos os povos da Antiguidade desenvolveram formas diversas de saber. Entre osegípcios a trigonometria, entre os romanos a hidráulica, entre os gregos a geometria, a mecânica, a lógica, a astronomia e a acústica, entre os indianos e muçulmanos a matemática e a astronomia, e entre todos se consolidou um conhecimento ligado à fabricação de artefatos de guerra. [...]” (p.15)

“[...] Somente um povo da Antiguidade teve a preocupação mais sistemática e filosófica com as condiçõesde formação do conhecimento: foram os gregos. [...], os gregos desenvolveram um tipo de reflexão – a intuição – que se destacou pela possibilidade de gerar teorias unitárias sobre a natureza e desvincular o saber racional do sabe mítico. [...]” (p.15)

“[...] A episteme, característica do pensamento grego, era do tipo theoretike, isto é, um tipo de saber adquirido pelos ‘olhos do espírito’ [...]essa diferença entre conhecimento prático – que estava ligado ao trabalho, à execução de atividades de produção de bens e coisas necessárias à vida – e conhecimento teórico – ligado ao prazer de saber [...] essa diferença que surgiu entre os gregos foi resultado, segundo Farrington (1949), de uma separação de atividades de classe, da separação entre ‘cabeça e mão’. [...] como essa classe tinhamais prestígio e status, sua atividade foi considerada superior, pura e livre, em oposição ao trabalho prático, considerado inferior, desinteressante e preso ao interesse de outrem, já que era executado por escravos para os senhores. [...]”(p. 16)

“[...] Platão foi o primeiro filósofo a desenvolver uma teoria sobre o mundo, [...] para Platão, o mundo sensível esta em constante mudança e, nessecaso, torna-se impossível conhecê-lo por razões óbvias: não se pode conhecer uma coisa que deixa de ser ela mesma na sucessão do tempo. [...]” (p.16)

“[...] Para Platão, a essência da coisa está em sua forma ou ideia. Assim, para toda coisa do mundo sensível existe uma ideia ou forma que lhe corresponde como sua essência ou natureza. [...]” (p.16)

“[...] Foi na escola platônica, a Academia,que se desenvolveu a dialética e, mais tarde, o conhecimento aristotélico. A dialética, ou método socrático, foi de extrema importância na história do pensamento. [...] a dialética é realizada num diálogo em que uma das partes leva a outra a reconhecer as contradições e incoerências de suas crenças. [...] a dialética socrática é um método de aproximações sucessivas (Popper 1982; Wartofsky 1968) emque não há propostas de solução para as questões, mas tão somente a crítica contra as concepções propostas. [...]” (p. 16/17)

“[...] Juntamente com Platão, Aristóteles foi o grande personagem que erigiu a ciência grega e ocidental, formulando um conhecimento que prevaleceu quase intocado até o século XVI. [...]” (p. 17)

“[...] Enquanto Platão ensinava que só podemos conhecer as formas ouideias e não propriamente as coisas (destas só podemos ter opiniões confiáveis), Aristóteles se distanciava dessa doutrina promovendo uma convergência entre as formas e os fenômenos (a virtude está no meio). [...] a existência das formas – que para Platão eram eternas, imutáveis e independentes do mundo sensível – é, para Aristóteles, uma ‘realidade materializada’ que não pode ser entendida senão peloestudo das coisas, mas não se resume a isso. Aristóteles se utilizou da indução [...] para formular princípios explanatórios gerais e, a partir destes, voltar a fazer deduções de novas ocorrências. Deve-se associar, portanto, a indução e a dedução, a investigação de particulares e a formulação de princípios explanatórios que, por meio da dedução, explicarão novas ocorrências. [...]” (p.17)...
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