Fichamento oliveira viana "o idealismo na evolução política do império e da república"

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Fichamento
VIANA, Francisco José de Oliveira. O idealismo na evolução política do Império e da República. São Paulo: Biblioteca d’ O Estado de São Paulo, 1922.

“O trabalho de construção do aparelhamento político, tem no Brasil, um processo inteiramente oposto ao seguido, na sua organização política e na sua estruturação constitucional, pelos grandes povos da antiguidade (...). Entre nós, comefeito, não é no “povo”, na sua estrutura, na sua fisiologia, na sua economia intima e nas condições particulares da sua psique, que os organizadores brasileiros, os elaboradores dos nossos códigos políticos vão buscar os materiais para as suas famosas e soberbas construções: é fora de nós, é nos modelos estranhos, é nos exemplos estranhos, é nas jurisprudências estranhas, em estranhos princípios,em estranhos sistemas que eles se abeberam e inspiram (...).” – Pg. 8-9
“(...) Cada organização política deve refletir na sua estrutura as diversidades, as idiosyncrasias do povo a que pertence.(...) Uma constituição política de caráter acentuadamente descentralizado e com um poder central débil e ineficiente, por mais liberal e democrática que fosse, seria ali uma construção perfeitamente forada realidade, formosamente edificada com a mais pura argila doutrinaria, mas absolutamente incapaz de garantir à sociedade a sua segurança externa e, portanto, de garantir, na sua vida interna, a realização do direito. Com ela, o estado falharia a sua dupla finalidade: - os que a criassem seriam o que nos chamamos “idealistas”.” – Pg. 9-10-11
“Num país onde, pela disseminação da população, pelamaneira dispersiva por que se operou o povoamento, pela falta de fatores de integração social e política e onde, por isto e por outras causas, o espírito local não se pode formar, (...) também idealistas seriam os que, em um país assim, organizassem um sistema constitucional cuja base fosse a “célula municipal” e cujo principio dinâmico fosse o espírito do “self-government”.” – Pg. 11-12“Idealista é, pois, para nós, todo e qualquer sistema doutrinário ou todo e qualquer conjunto de aspirações políticas em intimo desacordo com as condições reais e orgânicas da sociedade que pretendem reger e dirigir.” – Pg. 14
“(...) Um homem ou povo serão considerados idealistas todas as vezes que apreenderem esse estado futuro de melhor adaptação e puserem a sua energia a serviço da realização.” – Pg. 16“Há então duas espécies de idealismo: o idealismo “utópico”, que não leva em conta os dados da experiência, e o idealismo “orgânico”, que só se forma de realidade, que só se apoia na experiência, que só se orienta pela observação do povo e do meio.” – Pg.17
“Esse sistemático e secular predomínio do idealismo utópico na evolução política do Império e da República tem razões muito profundas ecausas gerais de grande força. De um certo modo, e nos primeiros tempos da nossa emancipação, parecem justificá-lo as condições de ambiente mental, em que se viram envolvidas as primeiras gerações da independência. Estas, na verdade, começavam por ter um sistema de educação intelectual que as desviava inteiramente do conhecimento da nossa terra, da nossa gente, do nosso gênio, das nossas coisas, emsuma.” – Pg. 18-19
“Havia, porém, acima desses obscuros utopistas e batalhadores, uma elite diminuta, cheia de prestígio e brilho, mas tão alheio como aqueles, as realidades do nosso meio. Eram os dirigentes, os guias, os chefes do nosso movimento emancipacionista, os que prepararam a nossa independência e idealizaram o plano da nossa organização política.” – Pg. 21
“Essa Geração é que inspirou,dirigiu e agitou toda a política sonhadora do Primeiro Império, inspirou, dirigiu e agitou toda a política tormentosa do período regencial.” – Pg. 22
“Esse idealismo utópico tem, como se vê, para as nossas primeiras gerações políticas, uma poderosa justificativa. Era mesmo impossível evitá-lo. Tudo concorria para produzi-lo: a educação extra-nacional das nossas elites nos primeiros tempos do...
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