Fichamaneto de "os mestres da verdade na grécia arcaica"

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DETIENNE, Marcel. Os mestres da verdade na Grécia arcaica.

Prefácio

* “É na história grega, do homem grego, que devemos procurar os traços fundamentais que explicam o abandono voluntário do mito, a passagem das estruturas organizadas inconscientes – quero dizer, aquelas que não sabem que são ‘lógicas’, no sentido em que nos procura mostrar (e consegue muitas vezes) Lévi-Strauss – a umatentativa deliberada de descrever, ao mesmo tempo, o funcionamento do Universo (a razão dos ‘físicos’ jônicos e italianos) e o funcionamento dos grupos humanos (a razão histórica, seja a de um Hecateu, de um Heródoto ou de um Tucídides.” P. 8.

Pierre Vidal-Naquet.

I
Verdade e Sociedade

* “De fato, quando a reflexão filosófica descobre o objeto próprio de sua busca, quando sedesarticula do fundo do pensamento mítico, onde a cosmologia jônica ainda encontra suas raízes, quando se lança deliberadamente aos problemas que não mais deixarão de atrair sua atenção, ela organiza um campo conceitual em torno de uma noção central que definirá, a partir de então, um aspecto da primeira filosofia como tipo de pensamento e do primeiro filósofo como tipo de homem: Alétheia ou a “Verdade”. P.13.

II
A Memória do Poeta

* “Sem dúvida, o poema de Hesíodo [Teogonia], principal testemunho na Grécia desse tipo de relato [de soberania], marca precisamente sua decadência, pois se trata de uma obra escrita ou, pelo menos, ditada, e não mais um relato oral, pronunciado por ocasião de uma festa ritual. Não obstante, teríamos na pessoa de Hesíodo o único e último testemunho de umapalavra cantada, consagrada ao louvor do personagem real, em uma sociedade centrada na soberania, tal como nos parece oferecer o exemplo a civilização micênica. Mais uma vez, este personagem real é, tão-somente, o próprio Zeus. Nesse nível, o poeta é, antes de tudo, um ‘funcionário da soberania’: recitando o mito de emergência, colabora diretamente com a ordenação do mundo.” P. 18.

* “Em nenhummomento o guerreiro pode se sentir como agente, como fonte de seus atos: sua vitória é puro favor dos deuses, e a façanha, uma vez levada a cabo, toma forma somente através da palavra de louvor. Definitivamente, um homem vale o mesmo que seu lógos. São os mestres do Louvor, os serventes das Musas, que decidem sobre o valor de um guerreiro: são eles que concedem ou negam a ‘Memória’.” P. 19.* “Pela potência de sua palavra, o poeta faz de um simples mortal ‘o igual de um Rei’, conferindo-lhe o Ser, a Realidade;” P. 20.

* “Não se trata bem da lembrança vaga e profana que os homens não deixam de negar a seus mortos. A ‘Memória’, com efeito, é quase sempre um privilégio que o poeta concede propriamente, aos vivos.” P. 21.

* “Os trabalhos e os dias obedecem à mesma ideologiapoética que a primeira obra de Hesíodo: o poeta está sempre inspirado pelas Musas, seu canto é hino maravilhoso que as deusas o fizeram escutar. Como o adivinho-profeta, Hesíodo se vangloria de revelar os ‘desígnios de Zeus’.” P. 21.

* “No pensamento de Hesíodo, o trabalho da Terra é uma prática inteiramente religiosa: os trabalhos são aqueles que os deuses reservaram aos homens, os dias, quedistribuem os trabalhos no correr do ano, são os dias de ‘Zeus muito prudente’; aquele que conhece o encadeamento ritual dos trabalhos, que se lembra de cada rito, sem cometer sequer uma falta por esquecimento, é ‘homem divino’.” P. 22.

* “É surpreendente o contraste que se estabelece com o caráter todo-poderoso do poeta na sociedade grega desde a época micênica até o fim da época arcaica.Na sociedade micênica, o poeta teve, possivelmente, a função de celebrante, de acólito da soberania, encarregado de colaborar na ordenação do mundo. Na época arcaica, mesmo após o declínio de sua função litúrgica, que coincide com o desaparecimento da função de soberania, ele continua a representar para a nobreza guerreria e aristocrática um personagem todo-poderoso: é ele que, sozinho, concede...
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