Estilo e linguagem de saramago

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Linguagem e estilo de José Saramago
Memorial do Convento é uma obra marcada por uma narrativa de ritmo caudaloso, fluente, ritmado por frases longas, onde são utilizados ditados populares e expressões que revelam uma sabedoria adquirida na vida quotidiana. As marcas de oralidade são, igualmente, utilizadas ao longo de toda a obra. Saramago possui um estilo muito próprio, dialogal einconfundível, onde as regras do discurso são aparentemente transgredidas: utiliza parágrafos com aproximadamente uma página, com textos contínuos com diálogos neles inseridos, sem recorrer à utilização da pontuação normalmente utilizada: os dois pontos, o travessão ou as aspas. A estruturação deixa de ser organizada, mas existem no texto linguagens que não correspondem ao estilo discursivo habitualmenteutilizado. “De facto, José Saramago parece ter revertido ou radicado o processo de escrita ao modo próprio da fala. Enquanto o discurso escrito obedece a um conjunto de preceitos linguísticos segundo a normatividade da língua, o discurso oral permite a libertação deste modelo, deixando soltar a linguagem em improvisos sintácticos, morfológicos, semânticos e até fonéticos, que exprimem a vivacidade, anovidade e a originalidade da língua” (in REAL, Miguel. Narração, Maravilhoso, Trágico e Sagrado em Memorial do Convento de José Saramago. Caminho, Lisboa: Janeiro de 1996)
Exemplificando, a descrição de elementos espaciais ou de comportamentos e atitudes das personagens mostra uma transgressão das regras linguísticas do texto escrito, “levando à interpenetração de elementos descritivos enarrativos, à mistura com diálogos e outros segmentos frásicos que tornam o discurso indirecto "diluído", mais próximo de realizações próprias do discurso indirecto livre (onde as coordenadas da narração reflectem uma polifonia enunciativa sem fronteiras claras).”
(in PEIXOTO, Maria José, e FONSECA, Célia, Dossier Exame, Português B, 12º ano, 1.ª ed., Edições Asa, 2001, pp. 173- 174.)

Muitas daspassagens na obra remetem-nos para excertos com elevada simbologia. Após a leitura da obra, é possível verificar que o autor “cria” um novo discurso, proveniente da mistura dos discursos directo, indirecto e indirecto livre, que, 4 por vezes, torna difícil a sua diferenciação. Existe uma alternância entre o discurso escrito e o discurso oral onde, por vezes, está intercalado o monólogo interior.

Odiscurso

Tom coloquial e dialogante:
Trata-se de uma das características mais evidentes ao longo de Memorial do Convento.

Diálogo lúdico:
“quantas vontades recolheste até hoje, Blimunda, perguntou o padre nessa noite, quando ceavam, não menos de trinta, disse ela, É pouco, e a mais são de homem ou de mulher, tornou a perguntar, As mais são de homem.”

Monólogo interior:
“onde estásBlimunda, se não foste presa depois de mim, aqui hás-de vir saber da tua mãe e eu te verei se no meio dessa multidão estiveres, que só para te ver quero agora os olhos, a boca me amordaçaram.”
“(...) não fales, Blimunda, olha só, olha com esses teus olhos que tudo são capazes de ver, e aquele homem quem será, tão alto que está perto de Blimunda e não sabe, ai não sabe não, quem é ele, donde vem, quevai ser deles, poder meu, pelas roupas soldado, pelo rosto castigado, pelo pulso cortado, adeus Blimunda que não te verei mais (…)”

Construção frásica
Frases muito longas:
Utilizam-se frases contínuas e longas que aproximam o texto ao discurso oral ou que funcionam como uma tradução do monólogo interior, e que dificultam a leitura da obra e a compreensão da informação.
“Pontualmente escreverao padre Bartolomeu Lourenço quando se instalou em Coimbra, notícia só de ter chegado e bem, mas agora viera uma nova carta, que sim, seguissem para Lisboa tão cedo pudesse, que ele, aliviando o estudo, os iria visitar, tanto mais que tinha obrigações eclesiásticas na corte, e então se aconselhariam na obra magna em que estavam ocupados (…)”

Pontuação:
A utilização peculiar da pontuação é...
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