Espinosa

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Cadernos Espinosanos XXVI

fundador da escola, o corpo substancial de trabalhos oriundos da pena de Crisipo – o
grande pensador sistemático do estoicismo – constituía a essência do corpus estóico
nesse período.” (GILL 8, p 39)
17. “(...), fundamental, sobretudo na revisão da moral estóica, foi o contato de Panécio
com a mentalidade romana. Acolhido em Roma no círculo dos Cipiões,frequentando
assiduamente os romanos mais poderosos, influentes e esclarecidos do momento,
ele compreendeu a grandeza e a novidade da romanidade, foi fascinado e em certa
medida, também, positivamente condicionado por ela. Os seus predecessores viram na
Grécia, prioritariamente, o que no âmbito do Estado e da política estava se destruindo
e se perdendo; Panécio, viu em Romana, ao contrário, o que nesseâmbito se estava
construindo e se afirmava sempre mais. E assim ele recuperou o forte sentido político,
que já fora o traço distintivo dos gregos da era clássica, embebeu-se do forte sentido
prático que constituía a cifra característica da romanidade. Um e outro elemento
incidiram fortemente sobre a visão da vida do filósofo.” (REALE 10, 366)
18. “Também na determinação das virtudes, Panécioafastou-se em parte do antigo
Pórtico. Ele parece retomar a distinção entre virtude teórica e virtude prática.(...) Virtude
teórica é o saber, virtudes prática são: a justiça, a magnanimidade, e a temperança.
Essas virtudes exertam-se sobre quatro tendências fundamentais do homem: o desejo
de puro saber, o desejo de conservar a si e à comunidade, o desejo de não depender de
ninguém e denada, o desejo de moderação. As virtudes são, precisamente, a atuação e
a explicitação desses desejos em conformidade com a razão. (Reale 10, 371 -372)
19. Como atesta Gill: “uma área em que a filosofia estóica é claramente criativa nesse
período é a área de ética prática ou aplicada”.(8, p. 43)
20. “(...) Que não temos, com efeito, um domínio absoluto sobre os afetos foi o que
demonstramosanteriormente. Os estóicos, entretanto, acreditavam que os afetos
dependem exclusivamente de nossa vontade e que podemos dominá-los inteiramente.
Contudo, viram-se obrigados, na verdade, não por causa de seus princípios, mas diante
das evidências da experiência, a admitir que não são pequenos o exercício e o esforço
necessários para refrear e regular os afetos, conclusão que um deles tentoudemonstrar
(se bem me recordo) pelo exemplo de dois cães: um, doméstico; de caça, o outro.
O resultado foi que, pelo exercício, ele acabou conseguindo que o cão doméstico
se acostumasse a caçar e que o de caça, em troca, deixasse de perseguir as lebres.”
(SPINOZA 13, p. 213 – Pref. Et. V)
21. Long nos indica que Lipsius procedia da mesma maneira. (LONG 9, p. 414)

o CONATUS EM EsPinosa E aTODESTRIEB
dE FrEUd: UMa antinoMia ontolÓGiCa oU
PUraMEntE iMaGinativa?
lucas Carpinelli*
resumo: Das muitas aproximações perpetradas nas últimas nove décadas entre
Sigmund Freud e Espinosa, talvez nenhuma seja tão problemática quanto o cotejamento
entre o conatus – esforço de perseveração no ser que, na Ética de Espinosa, constitui
a essência atual das coisas – e aquela força autodestrutiva a queFreud, em Além do
Princípio do Prazer, dá o nome de Todestrieb, ou pulsão de morte. De que forma,
à luz de uma ontologia absolutamente positiva como a de Espinosa – uma na qual
a destruição de uma coisa será sempre extrínseca à mesma –, devemos receber a
asserção de Freud de que há algo na constituição do sujeito que o destrói? Partindo
desta questão, o intento do presente trabalho érealizar uma apresentação detida dos
conceitos, a fim de determinar em que registro se dá a contradição, e até que ponto a
mesma nos constrange a suprimir nossa aquiescência a um ou outro dos mesmos.
Palavras-chave: Espinosa, Freud, conatus, pulsão, morte.
Nenhuma coisa pode ser destruída senão por uma causa exterior. (...)
Cada coisa esforça-se, tanto quanto está em si, por perseverar em seu ser...
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