Escatologia do quarto evangelho

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  • Publicado : 14 de novembro de 2012
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1 INTRODUÇÃO
No quarto evangelho, a escatologia presente está em constante tensão com a escatologia futura. Por um lado, Jesus proclama: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (Jo 5:24). Isso parece indicar que para o crente a morte está vencida e a vida eterna tomou o seu lugar. Por outro lado, Jesusanuncia aos seus seguidores a vida eterna no futuro quando diz: “De fato a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6:40). Essa tensão entre a salvação que já começou com o que há de se cumprir ainda, é compartilhada também pelos escritos paulinos. Certamente a ênfase na salvação no tempo presente é mais forte emJoão do que em qualquer outro escrito do NT. Mas mesmo assim, o evangelista não omitiu o que ainda vai se cumprir: a ressurreição dos mortos (Jo 6:40), o juízo vindouro (Jo 5:28,29) e a volta de Jesus (Jo 21:22). Mas o seu tema principal continua a presença da salvação de Deus na pessoa de Jesus Cristo.
Enquanto os sinóticos nos oferecem todo um conjunto de ensinamentos morais sobre as condições deentrada ou de existência no Reino: a pureza de intenção, a prece, o jejum, a esmola, a castidade, a fidelidade conjugal, o desapego das riquezas. No quarto evangelho, Jesus fala, sem dúvida, da necessidade de guardar os mandamentos, mas ele não se explicita sobre nenhum ponto particular. Toda a moral de Jesus é relacionada ao mandamento do amor fraterno inculcado com grande instância (Jo 13:34-3515:12 17:17-26). É claro, aliás, que as bases desta poderosa unificação se encontram nos sinóticos.
Outra modificação de grande importância: o recuo incontestável no quarto evangelho sob o ângulo escatológico; nenhum trecho apocalíptico do gênero do apocalipse sinótico, nenhuma menção da vinda do Filho do Homem sobre as nuvens, nenhuma descrição das côrtes do juizo final. A manifestação da glóriade Jesus (Jo 1:14 2:11 11:4,40) , a salvação (Jo 5:24,27), o julgamento (Jo 3:18,19) são parcialmente atualizadas.
Contudo, o aspecto escatológico da mensagem cristã não é rejeitado, e nada nos permite considerar como adições adventícias ao texto primitivo as passagens sobre a ressurreição corporal do fim dos tempos (Jo 5:28-30 6:39,40,44,54). É que a mística de João não é absolutamente umamística intemporal; ao modo dos profetas e diversamente dos gregos, João conhece um progresso dos tempos, progresso que, como nos sinóticos, é ligado à pessoa de Jesus.

2 DESENVOLVIMENTO

O Novo Testamento expressa de várias maneiras a convicção profunda acerca de como a presença de Jesus Cristo “entrou no mundo e mudou a experiência humana, em relação ao Acontecimento Primeiro e Último, oAbsoluto, o Supra-histórico; trata-se de apresentar a ‘plenitude dos tempos’ (Gl 4:4), na qual se cumprirá a salvação prometida e aguardada durante séculos”. Para falar dessa realidade última ou do Último, a linguagem humana usará sempre expressões inadequadas e incapazes de descrever plenamente esse mistério. Mas nosso intuito é de tentar esboçar o sentido último da unidade e da glória.
Segundo LADD,Em João o estilo do ensino de Jesus é de longos discursos, quanto que nos sinópticos são parábolas. A estrutura do pensamento de João parece mover-se em um mundo diferente, não há menção a esta era e ao século futuro, mas seu discurso é ligado entre o céu e a terra e sua preocupação é mostrar o Deus Jesus Cristo.
Na comparação da escatologia descrita nos sinóticos com o Evangelho de João,percebemos muitas divergências. Os Evangelhos Sinóticos apresentam a expressão “vida eterna” como algo futuro ou póstumo (cf. Mt 19:16; 25:46; Mc 10:17), ao passo que João acentua que já na terra se inicia a vida eterna (Jo 3:36; 6:47). Em João, não temos algo que corresponda ao “sermão escatológico de Jesus narrado pelos sinóticos (cf. Mt 24s; Mc 13; Lc 21:5-38), nem tampouco as descrições da...
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