Ensino secundario

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DUALIDADE DO ENSINO SECUNDÁRIO: A POSTURA ASSUMIDA PELO “GINÁSIO DE CONQUISTA”
Ana Elizabeth Santos Alves –UESB
Edileusa Santos Oliveira - UESB


Resumo: A memória de ex-alunos e os documentos como atas, cadernetas, avaliações, jornais, decretos, referentes à trajetória de uma instituição, nos permite conhecer algumas das suas práticas e avaliar o grau de fidelidade às propostas pedagógicasoficiais. Com esse propósito estudamos o primeiro Ginásio do município de Vitória da Conquista, BA, instalado em 1940 e dirigido pelo seu fundador até 1960, a fim de confirmarmos se este estava de acordo com a política pedagógica vigente na época, marcada principalmente pela dualidade estrutural, garantida pela distinção entre o ensino secundário, que preparava para o ensino superior, e as outrasmodalidades de ensino (Industrial, Comercial, Normal, Agrícola), que preparavam para o mercado de trabalho. Desde a pedagogia dos jesuítas até as reformas implantadas na primeira metade do século XX, a dualidade do ensino no Brasil vem sendo reforçada, e o Ginásio de Conquista, instalado para atender aos filhos de comerciantes, proprietários rurais e políticos, do município e da região, é umexemplo de instituição escolar que contribuiu com essa política educacional.


Palavras-chave: ginásio, dualidade estrutural, ensino secundário, trabalho.
09333851534


As escolas no Brasil nasceram da política de separação entre a educação que deveria ser oferecida aos indígenas, negros e colonos pobres, e a educação destinada à elite colonial. Desde a pedagogia dos jesuítas até asreformas implantadas na primeira metade do século XX, a dualidade do ensino no Brasil vem sendo reforçada. Mesmo após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1961, que buscou articular o ensino propedêutico ao ensino profissional, estabelecendo a equivalência entre ambos, a lógica seletiva e classista da escola permanece a mesma.
A constituição do sistema escolar foi marcada peladualidade estrutural manifesta na divisão social e técnica do trabalho, ao separar o trabalho manual do trabalho intelectual. Esta afirmativa é visível nas contradições dos objetivos da história da escola no capitalismo, quando buscam preparar de modo distinto homens e mulheres para atuarem em posições hierárquicas e técnicas diferenciadas no sistema produtivo. O exemplo disso está na criação deescolas de formação profissional e escolas acadêmicas a fim de atender a população segundo as origens de classe.
Na história da educação brasileira o caso emblemático é a dualidade da escola secundária. O seu modelo propedêutico direcionava os alunos que detinham condições materiais para cursar estudos em nível superior. Quem não tinha acesso a esse tipo de escola, se formava no próprio localde trabalho ou quando podia freqüentava cursos de aprendizagem técnica.
Kuenzer (1992; 2007) lembra que a separação entre escolas propedêuticas e profissionais[1], atendia à racionalidade da divisão do trabalho exigida pelas práticas de gestão e organização taylorista-fordista, difundidas no Brasil a partir da década de 30 e intensificadas nos anos 1940, para responder as necessidades doprocesso produtivo. Nesse período observa-se a instalação das condições para a expansão do sistema capitalista de produção na sociedade brasileira. Marca o início de um novo padrão de acumulação com predominância da estrutura urbano-industrial e a conseqüente queda da hegemonia agrário-exportadora. A urbanização, a industrialização, as novas demandas dos mercados de consumo e profissional, aburguesia industrial, o operariado urbano se destacam como forças sociais, políticas e econômicas que entram em vigor. A política educacional que caracteriza esse período reflete a política de desenvolvimento capitalista.
Romanelli (1978) lembra que enquanto vigorava o modelo econômico agrário-exportador, fundamentado em práticas arcaicas, a escola era deixada de lado, pois não havia a preocupação...
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