Ensaio sobre a cegueira

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1153 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 2 de setembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Relação da obra de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, e o Pós-Modernismo.

O pós-modernismo é a versão atual do desespero humano. A religião, a filosofia e a ciência jamais conseguiram dar ao homem a certeza absoluta. O homem se desespera, refuta vários séculos de teorias, pega todas as tentativas de explicação e joga no lixo, ou melhor, armazena-as em um lugar chamado mente. Essa abduçãoocasiona o advento do tudo, ou do nada, o surgimento do pós-modernismo.

A modernidade surge como a panacéia dos homens, porém uma overdose causará a destruição. Não do corpo, e sim, da essência humana. A modernidade era caracterizada pela confiança na razão, pela crença em transformações sociais e pelo desejo de aplicar teorias abstratas de forma mecânica à realidade. O pós-modernismo iráresgatar os ideais banidos e cassados por nossa modernidade racionalizadora. Essa busca constante por esses ideais é que vai caracterizar o sujeito pós-moderno: irracional, cético, hedônico, depressivo, consumista fervoroso, afetação sentimental, etc.
Em Ensaio sobre a cegueira, José Saramago utiliza-se de um infortúnio para revelar a essência humana que sempre esteve oculta. “Este é um livrofrancamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso”. Palavras de JoséSaramago, na apresentação pública do seu romance Ensaio sobre a Cegueira. Na obra citada, José Saramago tenta persuadir o leitor de que somos maus, porém dá à mulher do médico, personagem da obra, a peculiaridade de benévola. Atribuindo aos personagens características modernas e pós-modernas, ele revela-nos aquilo que somos, e que não somos. No decorrer dessa análise identificaremos essas característicase observaremos a obra a partir dessas peculiaridades modernistas.


A modernidade pode ser comparada com a cegueira que contamina as personagens. A cegueira iguala a todos em sua essência, não há distinção de classe ou credo. O homem está vazio do “ter”, e totalmente preenchido do “ser”. Não há mais modos, nem preocupação em se tornar oculta a subjetividade. A sociedade pós-moderna estápresente na visão da “mulher do médico”, haja vista que se torna obsceno, nessa sociedade, cenas que quebram a subjetividade e a privacidade das pessoas, tornando-se público o cotidiano da humanidade.
Um trecho que mostra as conseqüências da modernidade e da pós no individuo é esse:
A mulher do médico disse consigo mesma, Comportam-se como se temessem dar-se a conhecer um ao outro. Via-oscrispados, tensos, de pescoço estendido como se farejassem algo, mas, curiosamente, as expressões eram semelhantes, um misto de ameaça e de medo, porém o medo de um não era o mesmo que o medo do outro, como também não o eram as ameaças. Pág. 49.
A doença da modernidade era a histeria. Acontecia a encenação do sujeito incapaz de suportar tanta repressão, ou seja, o turbilhão da vida moderna transformava ohomem em marionete sentimental. O mal-estar da cultura pós-modernista é mais complicado, o homem vive dissimulado pela subjetividade. Ou seja, prevalece o disfarce coletivo “estamos todos bem”. Conhecer a essência humana é o maior desejo, e o maior receio do homem, é o mistério da vida. A cegueira elucidou a todos o enigma, “a mulher do médico” percebeu que as expressões eram as mesmas, porém osmedos e as ameaças eram diferentes. Isso se explica porque o físico (objetivo) se assemelha, mas a essência (subjetivo) é individual.
No mundo pós-moderno nada tem sentido, a humanidade está cercada por um Saara de valores, porém esse deserto está cercado por um oceano de possibilidades. O ceticismo toma conta dos valores fundamentais da modernidade. É, o adeus a razão, o indivíduo não...
tracking img