Enrtevista

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  • Publicado : 21 de setembro de 2012
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Quando pisou no palco pela primeira vez, aos 17 anos e num teatro de igreja no bairro do Brás, em São Paulo, Flávio Migliaccio deveria ser um idoso sério. “Eu entrava com uma bengala, mas ela entrou num furinho no chão e foi parar lá embaixo. A plateia riu”, lembra o ator, 60 anos depois, do alto de uma carreira marcada pela comédia. “Passei, então, a sempre procurar esse furinho em cena.”

Nemsempre, é verdade, o tal furinho apareceu fácil. O primeiro papel profissional, por exemplo, não poderia ser mais trágico – um morto. Mas se faltou graça em cena, ela sobra agora na história que ficou para contar. “Consegui o papel depois de um teste de meia hora com o diretor. Fiquei tão feliz! Minha mãe até chorou! Mas, no dia seguinte, fiquei sabendo que o papel era o morto. Perguntei ‘e voumorrer como?’, já pensando em como faria a cena, mas que nada – já começava morto”, conta ele, entre o lírico e o cômico. “Era no Teatro de Arena, e eu tinha de ficar imóvel com o espectador a um metro e meio de mim, com pulga me mordendo o tempo todo! Tem ideia do que é isso? Fiz esse morto durante três meses com tanta vontade, que acho que é por isso que estou aqui até hoje.”

E ele está aí,à beira dos 78 anos, como um dos poucos atores que mal conseguem folga do vídeo. De sucessos como o seriado Shazan, Xerife e Cia (1972), no qual fazia dupla com Paulo José; o protagonista de Aventuras do Tio Maneco (1978); o Tio Vitinho de A Próxima Vítima (1995), ao Chacha de Caminho das Índias (2009) e o Fortunato de Passione (2010), emendou um trabalho atrás do outro até chegar ao Seu Chalitado seriado Tapas & Beijos, sucesso há duas temporadas nas noites de terça na Globo. “Queria ficar com esse personagem pelo resto da vida”, diz ele, nesta conversa, num dos camarins da cidade cenográfica montada para o seriado no Projac, no Rio, em que ele repassa a carreira e reflete sobre a profissão de ator. “Tenho dificuldade de me transformar no personagem. Então, faço o contrário – que opersonagem se transforme em mim.”

O roteirista Cláudio Paiva já contou ao blog que a Fátima (Fernanda Torres) e a Sueli (Andrea Beltrão) não devem terminar a temporada casadas. E o Chalita, vai enfim encontrar um amor?

Não, acho que não. Porque o bonito do Tapas & Beijos é a busca pelo amor. É uma coisa que acontece muito hoje em dia – mesmo casado, o sujeito continua procurando aquele amor comquem se casou. O seriado fala das pessoas querendo se encontrar.

Seria bacana se ele conquistasse uma das duas, não acha?

É, ele é apaixonado pela Sueli, mas também é como um pai para elas. Ele é uma figura paterna ali naquele universo.


Chalita (Flávio Migliaccio): inveja boa de Luís Carlos Arutin (Divulgação/Globo)
Como foi a composição do Chalita?

Sempre tive muita inveja do(Luís Carlos) Arutin (1933-1996). Ele fazia muito bem o árabe, e eu queria fazer uma coisa tão boa quanto ele. Pedi ajuda a ele, que já faleceu – não sei onde é que ele está, mas pedi ajuda. E acho que ele me ajudou. Prometi que em troca ofereceria esse personagem a ele. Conversei com muitos libaneses daqui do Rio e de São Paulo, pesquisei, vi muitas entrevistas de diplomatas libaneses… Claro que nãoficou o sotaque perfeito libanês, mas eu imaginei que ele seria de alguma aldeiazinha de dialeto próprio. Inventei que ele erra algumas palavras, o que os libaneses não fazem muito, mas fiz para ficar engraçado.

Sei que você faz muitas coisas, daí descubro que você mora hoje em dia num sítio em Rio Bonito. É uma tentativa de aquietar?

Não… Lá no sítio eu também sou elétrico, estou atéensaiando uma peça. Tem um teatro lá, onde a gente faz peças, eventos, filma com as crianças. Faço filmes em colégios, reunindo os alunos. Tem diretor, figurinista, iluminador, todos alunos. Eu fico só supervisionando.

E trabalha com humor? Ou vai me dizer que lá faz drama?

Não, é humor sim. Gosto de fazer comédia. Acho que o humor é o que me faz viver. No dia a dia, o humor é muito bom. Sempre...
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