Enredo de a hora e a vez de augusto matraga

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A Hora e a Vez de Augusto Matraga
Guimarães Rosa

3. enredo

“A hora e vez de Augusto Matraga” é o último conto de Sagarana, em que o autor ilustra o aspecto religioso dos gerais a partir de um embate entre o Bem e o Mal, porém, escapando da perspectiva maniqueísta. Percebe-se no ritmo do conto uma divisão da história em três movimentos, três atos distintos, remetendo-nos ao teatro clássicoe reforçando a construção do sertanejo como herói que perpassa todo o livro.
O primeiro ato apresenta-nos o protagonista Augusto Matraga, na realidade Augusto Esteves, filho do Coronel Afonso Esteves, valentão da região. Vivendo entre brigas, prostitutas, apostas e dívidas, encontra-se em pleno declínio: todo o dinheiro e poder que possuía, herdados de seu pai, foram dissipados.
Numa noite,após “criar caso” por causa de uma prostituta durante a novena de Nossa Senhora das Dores do Córrego do Murici para logo depois repudiá-la, descobre através do Quim Recadeiro (cuja profissão intui-se pelo sobrenome) que sua esposa o abandonara, junto com sua filha de 10 anos, para ir morar junto de outro homem. Quim lhe informa também sobre os planos dos outros fazendeiros para eliminarem-no,liderados pelo Major Consilva, e que seus capangas haviam abandonado o serviço por falta de pagamento.
Entretanto, ao invés de fugir, Matraga decide enfrentar o major, para depois ir matar sua esposa Dionora. Ao chegar à fazenda deste, é recebido com agressividade e apanha de seus capangas, dentre eles seus próprios “ex-bate-paus”, que agora trabalham para ele: “- Marquem a ferro, depois matem.”(p.438). Levam-no até um barranco (Rancho do Barranco), de tal modo que “Nhô Augusto já vinha quase só carregado, meio nu, todo picado de faca, quebrado de pancadas e enlameado grosso, poeira com sangue.”(p. 438). Ao marcarem-no com a marca de gado do major, Matraga da um berro e atira-se no barranco.
O segundo movimento consiste na busca de uma nova identidade, de uma redenção, do protagonista, que éresgatado por um casal de negros pobres e passa a morar e aconselhar-se com eles. A medida em que se curam suas chagas físicas, o protagonista procura curar-se também de suas chagas morais, voltando-se para o catolicismo e recordando das rezas que sua avó havia lhe ensinado quando menino, pois queria fazer-lhe padre. Para que sua recuperação fosse completa, Augusto não bebe, não fuma e não chegaperto de mulheres: “Para o céu eu vou, nem que seja a porrete!”(p. 442).
Confessa-se com um padre, que lhe aconselha: para cada dia de trabalho, trabalhe por três, ajude aos outros e tenha autocontrole. O padre conclui com a frase: “cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua”(p. 441), que se tornará o mote da personagem.
Augusto decide partir para a única terra que ainda lherestava, no povoado do Tombador, bem longe, ao Norte; o casal, que já havia se afeiçoado ele, parte junto. No Tombador, Augusto trabalha de sol a sol, às vezes falando sozinho, só descansando aos domingos, quando explorava a região ou juntava-se as velhas para rezar e vive assim por mais ou menos seis anos, “sem tirar nem pôr, sem mentira nenhuma, porque esta aqui é uma história inventada, e não é umcaso acontecido, não senhor”(p.443).
Certo dia, um velho conhecido de Matraga, Tião da Thereza, passa pelo povoado em busca de rezes perdidas e fica “bobo” com a mudança do protagonista. Tião lhe conta que sua esposa Dionora ia se casar com seu novo amante, Ovídio, que sua filha estava “perdida na vida” e que o Quim havia morrido com vinte tiros ao tentar vingar-se da morte dele. Augusto, porém,pede apenas que Tião não revele que ele ainda está vivo. Posteriormente, decide que não lhe faria mal nenhum pitar para atenuar e espera “por sua vez e sua hora”.
Algum tempo depois, chegam oito valentões ao povoado, e dentre eles um de lenço azul no chapéu e dentes “limados em acume”(p. 447), e Augusto imediatamente oferece-lhes comida e pouso. Augusto come e bebe cachaça com o bando,...
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