Enfermagem

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Revista da Escola de Enfermagem da USPPrint versionISSN 0080-6234Rev. esc. enferm. USP vol.45 no.5 São Paulo Oct. 2011http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342011000500029
INTRODUÇÃO
O presente estudo trata-se de uma reflexão teórica sobre o cuidado de enfermagem à família de sujeito em sofrimento psíquico, tendo em vista o modelo de assistência em saúde mental pautado na atenção psicossocial,elaborado a partir do movimento da Reforma Psiquiátrica Democrática.
A família é constituída com base nas relações de parentesco cultural, sendo historicamente determinada, incluindo-se entre as instituições básicas. É apontada como elemento-chave não apenas para a sobrevivência dos indivíduos, mas também para a proteção e a socialização de seus componentes, transmissão do capital cultural eeconômico e da propriedade de grupo, bem como das relações de gênero e de solidariedade entre gerações(1).
A família se constitui numa instituição onde os indivíduos iniciam seus processos de formação. Através dela, incorporam padrões de comportamento, valores morais, sociais, éticos e espirituais, entre outros. O núcleo familiar participa da formação da personalidade e contribui para consolidação docaráter e adoção de noções de ética e solidariedade(2). Segundo os autores:
Por constituir-se tão complexa em sua estrutura, composição e função, a família não escapa em vivenciar conflitos múltiplos ao longo do seu ciclo vital. Enquanto existe, está sujeita a transformações, necessitando, muitas vezes redimensionar-se em suas posturas diante das diversas realidades e adversidades as quais ésubmetida, na busca de superação e equilíbrio.
No que diz respeito à família do sujeito em sofrimento psíquico, a partir do surgimento da psiquiatria enquanto saber médico responsável pelo desvelamento da loucura, ela ficou afastada do tratamento de seu parente, visto este se encontrar em hospital psiquiátrico. Nesse modelo, o familiar era alijado do tratamento, sentindo-se culpado devido às proibiçõesde visitas(3).
Na institucionalização da loucura, na qual o saber médico passa a ser o detentor e dominador do então doente mental, o afastamento dos indivíduos do seu meio social e familiar tornou-se uma premissa do tratamento proposto naquela época, pois a família era vista como causadora do adoecimento, reforçando ainda mais a necessidade do isolamento enquanto medida terapêutica. A relação dafamília com o manicômio era de cumplicidade na internação do paciente, traduzida na gratidão desses familiares em verem-se aliviados do problema(4).
Essas duas posturas atribuídas à família - de cúmplice das promessas de cura no ambiente manicomial e de geradora do sofrimento de seu familiar - foram responsáveis durante muito tempo pela indisponibilidade da mesma enquanto recurso terapêutico dosujeito em sofrimento psíquico(4). A psiquiatria moralizante insistia em separar o paciente do ambiente familiar, propondo o mínimo contato possível com os integrantes de seu grupo parental(5).
Justificava-se esse procedimento pela necessidade de proteger a família da loucura. Tratava-se de prevenir as influências negativas com que os doentes mentais, símbolo da indisciplina e da desordem moral,pudessem contaminar os demais membros, principalmente os mais vulneráveis, como as crianças, os adolescentes e as mulheres jovens.
A respeito da assistência de enfermagem no ambiente hospitalar psiquiátrico, esta se caracterizava pelo uso da repressão, punição e vigilância. O sujeito de sua atenção não recebia tratamento digno, sendo tratado, muitas vezes, com violência, sem estímulo; suaspotencialidades eram reduzidas até tornarem-se incapazes de retornar a viver em sociedade(6). Nesse contexto, o familiar afastado do seu parente acreditava que o deixara em local adequado ao seu tratamento, sob a responsabilidade de profissionais capacitados.
Os trabalhadores de enfermagem no ambiente do hospital psiquiátrico eram atores coadjuvantes no processo de reeducação do louco/alienado,...
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