Endometriose

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RBGO

26 (8): 613-617, 2004

Trabalhos Originais

Polimorfismo do Gene do Receptor de Progesterona (PROGINS) em Mulheres com Endometriose Pélvica
Progesterone Receptor Gene Polymorphism (PROGINS) in Women with Pelvic Endometriosis
Cristina Valletta de Carvalho, Paulo D’Amora, Hélio Sato, Manoel João Batista Castello Girão, Geraldo Rodrigues de Lima, Ismael Dale Cotrim Guerreiro da Silva,Eduardo Schor

RESUMO
Objetivo: o objetivo do estudo foi verificar a prevalência do polimorfismo denominado PROGINS no gene do receptor de progesterona entre mulheres com endometriose em seus diferentes estádios. Métodos: estudo caso-controle desenvolvido entre novembro de 2003 e maio de 2004. Foram analisados os genótipos de 104 mulheres, das quais 66 com endometriose comprovada porvideolaparoscopia (26 mulheres nos estádios I-II e 40 nos estádios III-IV) e 38 saudáveis. A inserção Alu de 306 pares de base no intron G do gene do receptor de progesterona denominada PROGINS foi detectada por meio de reação em cadeia da polimerase e analisada em gel de agarose 2% corado com brometo de etídio. Para análise estatística foi utilizado o teste ANOVA paramétrico. Resultados: as amostraspertencentes aos grupos endometriose estádios I-II (grupo EndoI) e estádios III-IV (grupo EndoII) tiveram significativo aumento na incidência do alelo polimórfico do receptor de progesterona em relação ao grupo controle: 27% no grupo EndoI, 38% no EndoII e apenas 18% no grupo controle (p < 0,001). A prevalência da inserção, quando comparamos mulheres com endometriose, independente do estádio, com as dogrupo controle, foi estatisticamente superior no grupo das doentes (p = 0,0385). Conclusão: há associação estatisticamente significante entre o polimorfismo PROGINS e a endometriose pélvica. PALAVRAS-CHAVE: Endometriose. Receptor de progesterona. Polimorfismo gênico.

Introdução
A endometriose é doença estrogênio-dependente caracterizada por implantes ectópicos de endométrio no peritôniopélvico ou em vísceras. Na maioria dos casos está associada à dor pélvica e/ou à infertilidade.

Departamento de Ginecologia - Universidade Federal de São Paulo UNIFESP-EPM. Correspondência: Eduardo Schor Setor de Algia Pélvica e Endometriose Rua Pedro de Toledo, 781 – 4º Andar – Vila Clementino - 04023000 – São Paulo – SP e-mail: schor.gineco@epm.br Financiamento: FAPESP 03/04533-1

A teoriaetiopatogênica mais aceita durante o século XX foi a proposta por Sampson1, que postulou que o refluxo transtubário de células endometriais viáveis seria a causa da moléstia. Entretanto, no início da década de 80 vários autores observaram que a menstruação retrógrada poderia ocorrer em até 80% de mulheres submetidas à cirurgia no período perimenstrual, porém apenas 15% desenvolvem endometriose. Assim, orefluxo transtubário de células endometriais não basta, por si só, para explicar a etiopatogenia da doença; de fato, novos fatores devem, estar, de alguma forma associados à menstruação retrógrada, visto que a prevalência do evento e a da doença são discordantes2-4. A partir de então, novas teorias foram necessárias para explicar o aparecimento da doença em apenas uma parcela da populaçãofeminina.
613

RBGO - v. 26, nº 8, 2004

Carvalho et al

Endometriose pélvica

Alguns autores estudaram o endométrio tópico, acreditando que suas células se deslocariam do útero já com alterações que predisporiam à doença5,6. De fato, alterações no ciclo celular, levando a aumento de proliferação ou diminuição na morte celular programada, foram descritas7-10. A maior capacidade de degradação damatriz extracelular da mucosa tópica, bem como o aumento de fatores angiogênicos, já foram relatados e podem, de alguma forma, contribuir para o aparecimento da doença6. Sabe-se também que o endométrio das enfermas possui a enzima aromatase p450, Cyp19, que não existe no de mulheres sadias. Este distúrbio relacionado à síntese e à metabolização de estrogênios gera ambiente hiperestrogênico, de...
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