"Do mundo fechado ao universo infinito

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  • Publicado : 1 de maio de 2012
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Resenha da obra “Do mundo fechado ao universo infinito” de Alexandre Koyré:
O livro de Alexandre Koyré nos apresenta toda uma malha de pensamentos construída a partir de filósofos de tempos idos, tais como Nicolau Copérnico, Giordano Bruno, Nicolau de Cusa, Galileu Galilei, Descartes, Henry More e outras eminentes figuras desta transição, do obscuro (mundo fechado) ao universo infinito (a buscapara a compreensão do espaço, do tempo, da matéria, etc). Neste caminho, uma questão complexa surge: O universo é infinito? Daí se misturam as tradicionais concepções teológicas e o uso da geometria, da astronomia e da própria física. Mas antes disso se estender, Koyré mostra a cosmogonia medieval, ainda imersa no sistema aristotélico – onde os planetas estão presos à esferas e a Terra comocentro do Universo. Então, como dar o primeiro passo ao infinito em um modelo limitado por um antigo modo de ver o todo?
Para os pensadores medievais, a visão do céu, das estrelas refletia neles a ideia do divino, do puro, do incorruptível. Talvez por se tratar de algo tão distante que seria inclassificável diante de suas vidas cotidianas. Nicolau de Cusa (1401 – 1464) é contrário à isto, ao mostrarque os astros influenciam outros, e que pode-se perceber que ainda que uma estrela esteja longe, ela está no mesmo mundo que a Terra, ou seja, sujeita às mesmas forças naturais. Neste eixo, o autor apresenta Palingenius (1500 - 1551), que atinge um ponto interessante na sua concepção de mundo, ao comparar o mar e a terra com o céu, aumenta em proporção a visão de universo - "(…) O que são a Terrae o Mar em comparação com o Espaço imenso e admirável do Mundo? Se examinardes com atenção, vereis que o Orbe Terrestre que habitamos não é mais que um ponto (...) Ora, um lugar tão pequeno e tão vazio será povoado de Peixes, Homens, Animais, Pássaros, Bestas ferozes etc., enquanto o resto do universo será vazio de Habitantes? como o Ar e Olimpo serão desertos?" - Isto aproxima Palingenius dopensamento moderno em relação ao infinito, já que contrasta totalmente com a antiga definição de mundo, transformando o Planeta Terra em um 'pálido ponto azul', exaltando sua infimidade. Ele não afirma a infinitude do mundo, mas coloca isto como inalcançável aos homens, atribuindo a infinitude da Criação, já que “(...) a Sabedoria Divina não tem limites e seu Poder é Infinito. Não há nenhum outro Sercapaz de Lhe fixar limites e Ele não imporia limites a si mesmo (…).
Contemporâneo de Palingenius, Copérnico (1473 – 1543) foi responsável por afirmar o heliocentrismo, ao admitir a movimentação dos planetas ao redor do Sol. Mas, ainda que tenha sido diferente dos geocentristas, a mecânica celeste permanecia a mesma, com as esferas segurando os astros e movimentando-os no céu. O mundo teria umformato esférico, de acordo com suas observações. Sobre a infinitude, ele não afirma nada categoricamente, mas apresenta o universo como algo imensurável de tal forma que nos pareceria como se fosse infinito. - Do pensamento anterior que prevalecia, ele teve um papel fundamental na expansão conceitual do tamanho do Cosmos, ainda que finito, seu diâmetro é pelo menos duas vezes maior que o dospensadores medievos. Tempos depois, Giordano Bruno (1548 – 1600) retoma o tema da infinidade dos mundos parecidos com a Terra, e justifica isso pelo princípio da plenitude divina. Para ele, a onipotência divina e a finitude são contraditórias. Esse deslocamento da Terra como centro do mundo, segundo Koyré, a princípio, não foi sentido como degradação, isto porque isto reafirmava a soberania do Criadorcom a Criação. Para Bruno, a mutação, a mobilidade e flexibilidade das coisas do mundo são sinal de perfeição. A infinitude, no entanto, só seria apreensível com algo além dos sentidos.
Johannes Kepler (1571 – 1630), apesar de sua fervorosa fé no deus cristão, não adota o mundo infinito de Bruno. Pelo contrário, assegurava que: “Essa ideia traz consigo não sei que horror secreto, oculto; com...
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