Direito

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 12 (2967 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 15 de março de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
O TRABALHO NA ECONOMIA DE
MERCADO
O início da indústria moderna foi possível graças
à presença de duas condições salutares: a existência
do capital acumulado e de uma classe de
trabalhadores livres e sem propriedade. Dessa
forma, surgem dois tipos de homens livres: o
trabalhador livre assalariado, que vive
exclusivamente de seu trabalho, ou seja, da venda
de sua força detrabalho, e o burguês, ou capitalista,
proprietário dos meios de produção (PEREIRA e
GIOIA, 2003).
Entretanto, essa passagem para o período
moderno, que começou no século XVII e que foi
consolidada em termos administrativos pela teoria
de Taylor, não foi abrupta, mas um lento processo,
afirma Bittar (1997), pois ao se emancipar da
ordenação natural do mundo através do progresso
do mundodas ciências, em especial da física, o
homem passa de uma situação de sujeição à
natureza para uma relação de dominação.
Assim, semelhante à trajetória de uma criança até
atingir a idade adulta, com a produção capitalista
ocorre um processo de desenvolvimento das forças
produtivas que culmina na preponderância da base
técnica industrial, fundada no uso consciente da
ciênciaaplicada às necessidades de incremento da
produtividade e materializada na maquinaria. E com
o advento da maquinaria, a produção capitalista
assume sua feição madura. Mészáros (1989),
citando Marx, afirma que com a indústria moderna
o capital se ergue sobre seus próprios pés.
A glorificação do trabalho, fundamentada na
crença de que a produção em massa implica avanço
qualitativo paraa sociedade, levou ao surgimento da
concepção de trabalho denominada marxista,
ressalta Borges (1999), que atribui elevada
centralidade ao trabalho na vida das pessoas,
enquanto representativo da própria expressividade e
autoconstrução do ser humano. Essa abordagem
defende que o trabalho deve ser produtor da própria
condição humana, expressivo, fornecer
recompensas de acordo com asnecessidades de
cada um, ter um conteúdo criativo e desafiante,
dignificante, de controle coletivo e protegido pelo
Estado. Por outro lado, descreve o trabalho na
sociedade capitalista como mercadoria, alienante,
explorador, humilhante, monótono e repetitivo,
discriminante, embrutecedor e submisso.
É importante enfatizar que, quando a produção
regida pela lógica do capital teveinício, sua base
técnica era aquela já existente historicamente, ou
seja, era pré-capitalista. Por isso, em seus
primórdios, a produção capitalista, para atender às
suas exigências de contínuo aumento da
produtividade e dispondo de uma base técnica ainda
artesanal, utilizava como principal recurso para o
aumento do volume da produção e da produtividade
uma estratégia de produçãofundada na cooperação.
A cooperação surge, então, quando se tem a
união de vários trabalhadores num mesmo local de
trabalho. Do ponto de vista do capital, é mais barato
construir uma oficina que agrupa vinte
trabalhadores do que construir dez oficinas para
dois trabalhadores. Esses trabalhadores coletivos, Romilda Ramos de Araújo e Maria Iolanda Sachuk
60 Revista de Gestão USP, SãoPaulo, v. 14, n. 1, p. 53-66, janeiro/março 2007
numa ação combinada, demonstram, atuando em
grupo, mais habilidade, mais força, mais destreza,
mais rapidez, enfim, num esforço coletivo, “[...]
num mesmo processo de produção ou em processos
de produção diferentes, mas conexos” (MARX,
1982:374). Tem-se, assim, a cooperação, que se
distingue da força produtiva individual e com a qual
ostrabalhadores realizam uma parte do processo do
trabalho de maneira combinada, num espaço de
tempo determinado. O produto final do trabalho não
será de conhecimento integral dos trabalhadores,
que tampouco terão a posse desses produtos. O
mesmo sapato que antes era produzido
individualmente, agora passa a ser produzido por
vários homens, num tempo relativamente mais curto
em...
tracking img