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O PACIENTE PSIQUIÁTRICO

PREFÁCIO
Pouco depois da Metablética ou Psicologia Histórica aparece agora em vernáculo O Paciente Psiquiátrico, ambos estudos da lavra do eminente psicólogo o psiquiatra holandês Dr. J. H. Van den Berg, professor e diretor do Instituto de Psicologia dos Conflitos, na Universidade de Lelden.
Se escrevo mais este prefácio, não é porque tais obras me pareçam carecer deintrodução, mas para aceder aos amáveis convites do tradutor e do editor
O presente livro há de interessar especialmente aos filósofos e os psicopatologistas
Os primeiros nele encontrarão Interessante amostra do método fenomenológico, praticado conforme a concepção de Husserl e Heidegger, aplicada na psiquiatria por iniciativa de L. Binswanger. Segundo tal concepção, consiste o métodofenomenológico em descrever o objeto, tal como se revelar em si, dentro da perspectiva do sujeito consciente. Destarte, objeto e sujeito já não são dois absolutos essencialmente Independentes, mas comparáveis a dois pólos necessariamente ligados em relação reciproca de cognoscibilidade. Assim, manifestando-se tal como é, o objeto revela o respectivo sujeito; e inversamente, ao relatar o seu estado de alma,o sujeito não pratica a pura introspeção subjetiva, mas indica o modo em que lhe é dado o mundo objetivo e temporal, abrangendo o próprio corpo, além dos corpos ambientes, físicos ou humanos.
Compreende se. pois. porque o método fenomenológico aqui praticado pretende estudar o paciente psiquiátrico, não por via puramente introspectiva, recomendada por Jaspers, mas sim, por descrição fiel do mundoobjetivo do psicopata, como preceitua Binswanger.
Logicamente, deve tal método descritivo e objetivo recusar todas as interpretações do comportamento do psicopata como devido a deturpações do mundo rios objetos, reputado exclusivamente normal e puramente objetivo, pelo psiquismo anormal do paciente, considerado meramente subjetivo.
Em última analise, a posição fenomenológica aqui adotada não sóna ciência introduz nova concepção de objetividade, mas ainda na filosofia implica a recusa de qualquer dualismo substancial entre corpo o alma, físico e psíquico, objeto e sujeito, atingindo assim o platonismo, o cartesianismo. o paralelismo psicofisiológico etc. mas deixando intatos o aristotelismo e o tomismo, em que a alma ou o psíquico se identifica ao corpo ou físico como a natureza ouforma própria deste, sendo ti consciência concebida como essencialmente "Intencional", ou relação de mútua cognosciblltdade com o objeto.

Os psicopatologistas por sua vez neste livro acharão uma critica aguda aos conceitos fundamentais, vigentes na psiquiatria atuai, mormente na de orientação freudiana; quais sejam, os conceitos de projeção, conversão, transferência, mitologização, inconscienteetc. Lembremos, entretanto, que o autor não pretende arruinar simplesmente a valiosa contribuição de Freud, mas antes corrigir-lhe o exclusivismo do fator neurotizante sexual ou biológico pela concepção mais ampla de que, por mais variados que lhe possam ser os fatores, a chamada neurose é sempre no fundo "sociose" ou "synethose", devida a qualquer causa da inadaptação social; de modo que aPsicopatologia pode ser conceituada como a ciência da solidão ou do isolamento humano (conf. Metablética, cap. 3). Ao leitor comum, enfim, convirá passar por cima deste prefácio e procurar desde logo entender um livro, que pela clareza, precisão e vida concreta do estilo a si mesmo se apresenta corno lido e autêntico "fenômeno" de ciência e arte descritiva.
PROF. LEONARDO VAN ACKER
Doutor cm Filosofiapela Universidade de Lovaina, Bélgica Catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

INTRODUÇÃO
Esta Psicopatologia geral que aqui apresentamos concisamente, é de estrutura pouco usual. Via de regra, urna psicopatologia geral consiste num sumário de sintomas, síndromes e descrições de doenças em geral; quando se descreve o caso de um paciente, é apenas para documentar o assunto...
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