Decompositores

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Acta bot. bras. 23(2): 407-413. 2009

Compostos secundários durante a decomposição foliar de espécies arbóreas em um riacho do sul do Brasil
Luiz Ubiratan Hepp1,4, Rogério Delanora2 e André Trevisan3 Recebido em 27/08/2007. Aceito em 21/08/2008
RESUMO – (Compostos secundários durante a decomposição foliar de espécies arbóreas em um riacho do sul do Brasil). Os objetivos deste trabalho foramidentificar os compostos secundários e avaliar o comportamento destes em folhas de Sebastiania commersoniana (Baill.) Smith e Downs e Eucalyptus grandis Hill ex Maiden durante diferentes estágios de decomposição em um riacho de primeira ordem do norte do Rio Grande do Sul. Foram incubadas no riacho folhas das duas espécies, sendo essas retiradas do corpo hídrico após zero, um, 30 e 60 dias paradeterminação da taxa de decomposição e análise química por cromatografia gasosa. Foi possível identificar 14 compostos em S. commersoniana e 25 em E. grandis. O ácido palmítico foi o composto mais freqüente em ambas as espécies durante o experimento, sendo que a quantidade deste e dos demais compostos identificados variou durante o período estudado. A complexidade química das folhas de E. grandispode ter influenciado na sua decomposição, que foi mais lenta que a das folhas de S. commersoniana. Palavras-chave: Eucalyptus grandis, qualidade ambiental, Sebastiania commersoniana, vegetação ribeirinha ABSTRACT – (Secondary compounds during leaf decomposition of tree species in a stream in southern Brazil). This work aims to identify the secondary compounds and evaluate their behaviour inSebastiania commersoniana (Baill.) Smith and Downs (Euphorbiaceae) and Eucalyptus grandis Hill ex Maiden (Myrtaceae) leaves during different decomposition stages in a first-order stream in northern Rio Grande do Sul. Leaves of the two species were incubated in the stream and were removed after 0, 1, 30 and 60 days to determine decomposition rate and perform chemical analysis by gas chromatography.Fourteen compounds in S. commersoniana and 25 in E. grandis were identified. Palmitic acid was the most frequent compound in both species throughout the experiment; the amount of this acid and the other compounds varied during the study period. The chemical complexity of E. grandis leaves may have influenced their decomposition, which was slower than that of S. commersoniana leaves. Key words:environmental quality, Eucalyptus grandis, riparian vegetation, Sebastiania commersoniana

Introdução
Riachos que apresentam vegetação ribeirinha bem desenvolvida dependem da entrada de energia alóctone para a manutenção das comunidades biológicas nos ecossistemas aquáticos (Trevisan & Hepp 2007), que é muitas vezes regulada pela quantidade (Bastardo 1986) e qualidade de detrito presente (Graça & Canhoto2006). Assim, os processos de decomposição assumem papel importante na dinâmica destes ecossistemas, pois apresentam relações diretas com o fluxo de matéria e energia dentro desses ambientes (Odum 2001). Vanotte et al. (1980) afirmam, em seu conceito de continuidade fluvial, que os mananciais de pequeno porte são intensivamente influenciados pela vegetação ribeirinha, pois, nesses locais, aenergia oriunda do material alóctone é muitas vezes maior que a produção autóctone.

A decomposição do material vegetal depende basicamente de fatores climáticos, da qualidade do detrito, de variáveis ambientais e da disponibilidade e ação de decompositores (Coûteaux et al. 1995; Gartner & Cardon 2004; Trevisan & Hepp 2007). No início do processo de decomposição, a composição química do materialalóctone dificulta o seu aproveitamento pelos herbívoros. Assim, a colonização inicial do detrito se dá por microorganismos decompositores, principalmente bactérias e fungos filamentosos, que serão os responsáveis pelas primeiras lises do material vegetal, possibilitando uma posterior colonização por invertebrados fragmentadores (Spänhoff & Meyer 2004; Gonçalves Jr. et al. 2006). Os compostos...
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