Cuidado humanizado em terapia intensiva: um estudo reflexivo

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  • Publicado : 18 de outubro de 2012
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Cuidado humanizado em terapia intensiva: um estudo reflexivo

Atualmente estamos vivenciando no cotidiano hospitalar vertiginoso desenvolvimento tecnológico de procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Esses avanços tecnológicos vêm contribuindo para a melhoria da assistência, com ênfase nas unidades críticas, particularmente nos serviços de terapia intensiva.
A Unidade de Terapia Intensiva(UTI) é tida como um local onde se presta assistência qualificada especializada, independentemente de os mecanismos tecnológicos utilizados serem cada vez mais avançados, capazes de tornar mais eficiente o cuidado prestado ao paciente em estado crítico. Esse setor é constituído de um conjunto de elementos funcionalmente agrupados, destinado ao atendimento de pacientes graves ou de risco que exijamassistência médica e de enfermagem ininterruptas, além de equipamentos e recursos humanos especializados.
Ante essas mudanças e com vistas ao desenvolvimento do conhecimento da equipe de saúde, se faz necessária uma reflexão das ações realizadas no cotidiano, e, consequentemente, mais preparo dos profissionais, não só sob o aspecto teórico e técnico, mas, também, voltada à transformação daassistência numa perspectiva mais humanitária.
Há de se questionar a importância da existência de um local onde a tecnologia possa ser colocada à disposição da manutenção da vida humana, onde a observação possa ser tão constante e intensiva que muitas situações limites possam ser revertidas a favor da vida. Acrescente-se ainda ser preciso refletir até que ponto o progresso tecnológico como se verificahoje é "saudável" e promove o crescimento e a harmonização das pessoas. Esta polêmica é constante, e, conforme percebemos quando questionamos os próprios profissionais da área de saúde, nenhum deseja a UTI para si mesmo ou para seus entes queridos. Todos preferem, quanto muito, morrer "dormindo", em casa, de repente, sem dor.
De modo geral, em termos de desenvolvimento e aperfeiçoamentotecnológico, vivemos uma nova realidade jamais imaginada. Não se trata de condenar a tecnologia. Esta, em si mesma, não é benéfica nem maléfica, pois tudo depende da forma como a usamos. A tecnologia deve ser utilizada de forma criativa e humana para melhorar a qualidade de vida.
A qualidade de vida tem sido estudada em seus múltiplos aspectos. Assim, ao fazermos uso do termo qualidade de vida, este implicaum processo de avaliação de como se vive, e, conseqüentemente, do contexto em que se processa este viver e dos seus componentes, sob a ótica do usuário dos nossos serviços (cliente, família e comunidade) e sob a nossa ótica profissional, permeada pelos significados atribuídos coletivamente no tempo e no espaço. Pode ser considerado, também, um indicador competente do resultado dos serviços desaúde prestados ao cliente, principalmente por ser determinado pelo processo da doença ou agravo em si, como pelos procedimentos utilizados para o seu tratamento.
Os profissionais de UTI e, de modo especial, o enfermeiro, devem estar conscientes de que o objetivo final do seu trabalho é o cuidado. Isto não significa termos de garantir a manutenção da vida, pois o maior conhecimento deve nos capacitarpara a identificação de prognósticos mais precisos da morte, na descoberta de analgésicos mais poderosos capazes de controlar a dor, e ainda na aquisição de fundamentos psicológicos mais poderosos para aliviar a ansiedade e o sofrimento.
Resgatar a humanidade nas UTIs talvez seja voltar a refletir, sempre mais conscientemente, sobre o que é o ser humano. A UTI precisa e deve utilizar-se dosrecursos tecnológicos cada vez mais avançados, mas os profissionais desta unidade jamais devem esquecer que a máquina não substituirá a essência humana.
Na literatura, o cuidado tem sido abordado como ontológico, epistemológico, ético, como uma metodologia de investigação, uma prática organizacional. As definições do cuidado têm abrangido tanto a concreta função do "fazer", as formas de...
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